A novela mexicana no imaginário brasileiro

Há mais de 30 anos, os folhetins latinos (principalmente os mexicanos) estão presentes no dia-a-dia da televisão brasileira. O SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), como canal de TV aberta que é, introduziu todo um conceito estrangeiro de folhetim melodramático ao nosso imaginário da telenovela. Ainda que diferentes das novelas da Rede Globo – que são líderes de audiência e tendem a ser consideradas como produções mais realistas – as mexicanas, que aproximam-se  dos grandes conflitos emocionais, da dualidade bem e mal e das abundantes reviravoltas, sempre renderam uma boa pontuação de Ibope ao SBT.

De acordo com o relatório de 2016 do Observatório Ibero Americano de Ficção Televisiva (OBITEL):  ”cada contexto cultural desenvolveu e sedimentou, na preferência do público, combinações particulares de gêneros e formatos televisivos: nos EUA, o formato tradicional do prime time é a série: a dramática, de 45 a 60 minutos, e a comédia, sitcom, de meia hora. Na América Latina, cuja televisão sofreu influência primordial da tradição radiofônica e do folhetim literário, a telenovela de gênero melodramático se configura como a principal ficção do veículo”.

A Usurpadora / Divulgação

Fundado em 1981, o SBT começou a exibir telenovelas latinas em sua grade de programação já em 1982. Durante a década de 1990, algumas das clássicas novelas mexicanas chegaram ao país, como a bem sucedida trilogia das Marias, interpretadas por Thalia (Marimar, Maria do Bairro e Maria Mercedes), Carrossel, A Usurpadora e O Privilégio de Amar.   

Na década seguinte, a emissora de Silvio Santos passou a exibir novelas infantis de grande sucesso. Entre elas: O Diário de Daniela, Carinha de Anjo, Cúmplices de Um Resgate, Amy, a Menina da Mochila Azul e Alegrifes e Rabujos. Em 2005, aconteceu a estreia de Rubi, em 2006 de A Feia Mais Bela e, de 2005 a 2006, foi a vez de Rebelde virar um fenômeno no país e alavancar a carreira da banda RBD, tornando-a um sucesso mundial.

Rebelde/ Divulgação

Entre 2007 e 2010, as exibições foram interrompidas por problemas de contrato entre SBT e Televisa. Depois desse período, a relação foi retomada e, com contrato de exclusividade com a emissora mexicana, o SBT deu início às exibições de novelas mais recentes estreladas por artistas já conhecidos do público, como Camaleones, protagonizada por Belinda e Alfonso Herrera, ex-rebelde e agora parte do elenco da série Sense8, Cuidado Com o Anjo protagonizada pela ex- rebelde Maite Perroni e Teresa e O Que a Vida me Roubou, protagonizadas por Angelique Boyer, também ex-rebelde.

Além das novelas inéditas, o SBT  sempre reprisou as produções de maior sucesso. As recordistas de reprises são a Usurpadora e Maria do Bairro, que já foram ao ar sete vezes e se consagraram como  clássicos. Rubi e O Privilégio de Amar ficam um pouco atrás, com quatro reprises cada uma. Ademais, nos últimos anos, a emissora tem investido também em remakes das novelas infantis. Os remakes brasileiros de Carrossel, Chiquititas (que não é mexicana), Cúmplices de Um Resgate e Carinha de Anjo – que conta com a participação da atriz mexicana Lucero- têm rendido bons índices de Ibope e consolidado a emissora do dono do baú em seu nicho de maior êxito, o infantil.

Maria do Bairro/ Divulgação

Mas, se por um lado o sucesso da parceria entre SBT e Televisa se reflete em uma audiência que costuma sempre se manter, conseguindo até virar assunto do momento no Twitter, por outro essas novelas são constantemente taxadas de exageradas e de baixa qualidade. De fato, o melodrama em sua fórmula pronta, junto da linearidade, simplificação narrativa e estética, são marcas registradas desse tipo de produção. Então, por que elas seguem cativando e fidelizando tanto o público brasileiro?

Em seu artigo “Telenovelas Mexicanas e Desenvolvimento Narrativo”, a pesquisadora Maria Angela Raus coloca: “a construção de uma história torna-se algo complexo, mesmo que a narrativa seja simples. Por exemplo: a tradicional história da mocinha pobre, que se apaixona pelo rapaz rico e vence diversos obstáculos a seu lado,representa uma mensagem. Valores como superação, machismo, posições sociais, entre outros, que estão sendo representados e assimilados nessas histórias, também podem ser questionados e sofrer a interferência de quem assiste. A forma de abordagem depende dos interesses de quem produz e da audiência que irá consumir o produto.”

Nesse contexto, pode-se considerar algumas hipóteses para o sucesso das tramas mexicanas em terras tupiniquins: parte do público ainda é bastante conservador em relação ao enredo que quer assistir;  o melodrama, por sua vez, funciona ao cativar e é entretenimento fácil. Além disso, existe uma geração que foi crescendo com novelas que, muitas vezes, coincidiam com a demanda de sua faixa etária, fator que desenvolveu uma relação afetiva entre um indivíduo e o formato. .

 

COISA DE GERAÇÃO, STAR SYSTEM E AFETIVIDADE

Quem era criança na década de 90 deve se lembrar de algumas novelas mexicanas que marcaram a infância de muita gente, entre elas as já mencionadas: Carinha de Anjo, O Diário de Daniela, Chiquititas, Amy, a menina da Mochila Azul, Cúmplices de um Resgate. Depois disso, foi a vez de Rebelde, provavelmente a novela teen mais bem sucedida a nível mundial. E não podemos nos esquecer das vilãs consagradas: Paola Bracho (Usurpadora) e Soraya Montenegro (Maria do Bairro), que entraram no imaginário do público e atravessaram gerações.

Cúmplices de um Resgate// Divulgação

Todas essas tramas formaram não apenas o imaginário, mas também  a afetividade audiovisual de muita gente. À medida em que as pessoas iam crescendo, seus ídolos participavam de outras produções e seguiam carregando consigo uma audiência significativa. Talvez possamos chamar esse processo de Star System Latino – o sistema de estrelas aplicado em Hollywood, quando uma atriz ou ator é responsável por atrair público para determinada produção ou ditar um padrão de comportamento e estética, processo semelhante ao que acontece nas novelas mexicanas.

Boa parte das novelas exibidas no SBT possuem um elenco que já é caro à audiência. Camaleones foi exibida em 2010 e contava com Alfonso Herrera (Rebelde) e Belinda (Cúmplices de um Resgate) no elenco. Já nos últimos anos, algumas delas foram protagonizadas por Maite Perroni e Angelique Boyer – ambas ex-rebeldes. Aliás, Angelique esteve recentemente no Brasil para falar de suas novelas e até participou de uma entrevista com Maísa, onde a plateia podia lhe fazer perguntas.  Gabriela Spanic, a eterna usurpadora, também vira e mexe aparece nos programas de auditório do SBT para dar entrevistas.

Todos esses elementos são responsáveis por aproximar o público das produções e por gerar afetividade. É dessa forma que o fã de novela mexicana sempre estará disposto a acompanhar a próxima novela de seu ator ou atriz favorito. Deste modo,  a parceria entre SBT e Televisa alcança resultados até que garantidos perante seu nicho específico, e o engajamento do público é tanto que , todos os dias, alguma das novelas exibidas acaba virando Trending Topic do Brasil no Twitter.

 

PÚBLICO CONSERVADOR E A EFICÁCIA DO  MELODRAMA

O melodrama se caracteriza, principalmente,  pela intensidade e por acontecimentos exorbitantes. Todas as emoções e os conflitos de uma trama melodramática serão intensos, emocionais e cheios de caras e bocas. As paixões, as brigas, vinganças e afetos. Tudo é muito dramático e envolvente. Até hoje, o melodrama nos proporciona cenas cafonas onde o mocinho leva um grupo de mariachis até a janela da mocinha para lhe fazer uma serenata, ou vilões com planos diabólicos e protagonistas que não morrem mesmo explodindo.

A própria narrativa, que quase sempre fala da mocinha que superou muitas coisas na vida para ter uma condição melhor e ficar com seu verdadeiro amor – que na maioria das vezes é um homem que já foi extremamente abusivo com ela- é muito atraente e fácil de ser consumida. Por mais que questionemos machismo e violência, tramas assim continuam sendo entretenimento fácil, dado seu exagero e capacidade de desenvolver o apego do público, engajar e manter a curiosidade.

Com frequência, assuntos mais sérios, como corrupção ou tráfico, são abordados de maneira a não atingir a realidade exatamente. Soam como algo muito distante por ser altamente ficcionalizado. O tráfico nunca é tratado como um problema social e sistêmico – levando em consideração o contexto social e político do México -, ele se apresenta apenas como contexto do grande vilão e seus capangas. Também não é comum ouvirmos falar, por exemplo, de grandes repercussões de novelas mexicanas que falem sobre o amor de duas pessoas do mesmo sexo, ou que debatam questões de gênero.

Recentemente, o SBT voltou a exibir a novela Sortilégio e levantou uma polêmica sobre a edição do material original. Dois dos personagens formam um casal homoafetivo. Na primeira ocasião em que a emissora exibiu a novela, a edição foi feita de tal maneira que o arco do casal foi completamente alterado, de modo a nem sequer parecer que os dois homens eram um casal. A justificativa, um tanto quanto questionável, foi de que, para ser exibida no período da tarde, a edição era necessária.  Já em relação às personagens mulheres, o máximo que temos são protagonistas “fortes”, mas que sempre acabam sofrendo por amor.

Sortilégio/ Divulgação

Em O Que a Vida me Roubou – novela que chegou a bater a audiência da reprise de Os Dez Mandamentos, da Record – existem alguns traços sutis de “modernidade”. No final da trama se configura uma formação familiar diferente da tradicional e as personagens mulheres, como Montserrat (Angelique Boyer) e Esmeralda (Margarita Magaña), até certo ponto, falam sobre independência e carreira.

Até certo ponto porque, no fim das contas, ainda é uma novela que conta com um triângulo amoroso onde dois homens brigam pelo amor de uma mulher, romances ardentes, a megera de risada exótica que só quer dinheiro, o vilão criminoso sem escrúpulos em busca de poder, as reviravoltas de personagens que mudam de lado (entre o bem e o mal), as mortes falsas e os retornos triunfantes.

O Que a Vida me Roubou / Divulgação

Já a novela La Tempestad, começa com uma forte tentativa de falar sobre violência contra mulher. Logo no início, a protagonista Marina (Ximena Navarrete), incentiva uma funcionária do hotel onde é gerente a denunciar a tentativa de abuso sexual que sofreu por um empresário renomado que estava no local como hóspede. Depois desse enfrentamento, Marina é despedida porque os donos do hotel decidem proteger o cliente poderoso.

A personagem então, precisa se mudar para um pequeno povoado a fim de recomeçar sua carreira. Daí em diante o tal do “empoderamento” vai por água abaixo. Assim que chega ao povoado, Marina já é tomada pela narrativa clichê da moça da cidade que se apaixona pelo cara bruto e sem educação do interior, geralmente também violento, mas ainda assim o mocinho da história.

La Tempestad / Divulgação

Ao contrário das novelas globais que buscam o realismo e que regularmente tentam trazer questões atuais a trama, causando “polêmica” – modelo que deve se transformar um pouco, já que a emissora parece querer investir em novelas que se passam em épocas mais antigas, como a medieval Deus Salve o Rei, uma visível tentativa de agradar o público que debandou para as telenovelas religiosas e medievais da Record- , as mexicanas são uma ficção mais reconhecidamente padronizada.

Uma novela mexicana é capaz de agradar dois tipos de público conservador. Aquele que tem apego a fórmula, que espera ver sempre uma representação das mesmas coisas, sem inovações,  num mesmo formato já há muito estabelecido e que abre mão de grandes produções ou elaborações narrativas, e o público que é conservador em relação a costumes e comportamentos. Nesse segundo caso, a narrativa ignorar empoderamento feminino, relações homoafetivas ou identidade de gênero é algo que reafirma o posicionamento ideológico do espectador e lhe traz um certo “conforto”.

Qualquer tentativa de inserir questões contemporâneas nos enredos da teledramaturgia melodramática pode acarretar em dois tipos de reação do público: Ou ele vai entender que as tramas precisam ser atualizadas de alguma maneira, e que, mantendo o formato, tudo bem. Ou ele vai se sentir atacado em seus costumes por “ser obrigado” a ver coisas que despertam seu preconceito.

O caso mais recente envolvendo esse tipo de impasse é o da novela Papa a Toda Madre, exibida pelo Canal de las Estrellas, da Televisa. A atriz protagonista, Maite Perroni, postou uma foto em seu instagram onde comemorava que, pela primeira vez na história, uma novela no horário nobre da Televisa exibiria uma cena de beijo gay. Alguns seguidores da atriz comemoraram com ela e comentaram que já era passada a hora das novelas retratarem esse tipo de cena. Mas, infelizmente, muitos dos comentários foram extremamente preconceituosos e os seguidores disseram coisas como:

“Que mau exemplo para as novas gerações. Definitivamente não há respeito por Deus, por isso o mundo está de cabeça para baixo e fazem com que acreditemos que o mau seja bom. Que pena que uma artista tão talentosa como você apoie estas coisas”.

“ Me encantam as novelas mexicanas, mas isto é o cúmulo! O que aconteceu com a Televisa?”

https://www.instagram.com/p/BbfVOJvldR9/?taken-by=maitepb

As novelas globais já lidam com esse tipo de repercussão há algum tempo. O último caso de reação do público foi em relação a novela O Outro Lado do Paraíso ( novela das 21 horas da Rede Globo) De acordo com o excelente artigo da jornalista Eliane Brum, no jornal El País:  O folhetim que trata temas como violência doméstica, racismo e homofobia, vem sofrendo uma ampla campanha de difamação que a torna, em grupos evangélicos, uma “obra do demônio”. Mensagens delirantes com o título de “Globo Demoníaca” pipocaram em grupos de WhatsApp.

Em contrapartida, se levarmos em conta as edições e curadorias do SBT, esse tipo de debate não chegará ao grande público através das novelas mexicanas tão cedo ao Brasil.

 

MAS ENTÃO NÃO EXISTE NADA DE  POSITIVO EM RELAÇÃO ÀS NOVELAS MEXICANAS?

Apesar de todos os aspectos já mencionados, o melodrama não é completamente ruim. Primeiro porque, gostemos ou não, trata-se de uma expressão cultural que carrega consigo muito do contexto social de seu local de origem. E segundo porque, se você assistir com um olhar crítico, pode ser que uma cena melodramática e teatral, que soe forçada ou impossível, te faça dar algumas risadas. Quem nunca deu uma risadinha durante uma situação onde o mocinho sofre um acidente fatal e, só porque sim,  volta vivíssimo da silva e pronto para outra?

E, se o melodrama pode terminar em humor, por que não mesclar os dois e produzir uma paródia de novela mexicana que tenha toda a graça, o exagero, as brigas e situações inacreditáveis, mas que seja crítica e divertida ao mesmo tempo? Provavelmente foi isso que pensaram os criadores de Jane The Virgin, série de televisão estadunidense transmitida pela The CW e adaptada da novela venezuelana Juana la Virgen.

Jane The Virgin/ Divulgação

Interpretada pela atriz Gina Rodriguez, Jane é uma moça que vive com a avó e a mãe. Uma família só de mulheres muito especiais e também muito diferentes entre si. A avó, Alba (Ivonne Coll), é uma imigrante ilegal que saiu da Venezuela para tentar uma vida melhor em Miami. Além de viciada em telenovelas, Alba é muito católica, e convenceu a neta, Jane, de que o melhor para ela seria se manter virgem até o casamento. Já a mãe de Jane, Xiomara (Andrea Navedo), engravidou muito cedo e teve que abrir mão do sonho de ser cantora para sustentar a filha. Nem a profissão de dançarina e nem a gravidez precoce  deixaram a religiosa Alba muito contente. Apesar disso, ela sempre apoiou a filha.

A trama começa quando, no primeiro episódio, Jane vai a uma consulta ginecológica de rotina e , por engano da médica, acaba inseminada e grávida. Grávida e virgem. Uma situação absurda como essa é muito típica de novelas mexicanas, mas em Jane The Virgin o exagero é usado com muita qualidade. Misturando humor, melodrama, teatralidade, investigações, mistérios, vilões malvados e triângulos amorosos, a série discute temas muito importantes ao longo de suas temporadas, tais como: relacionamento amoroso entre mulheres, imigração ilegal, maternidade solo e os desafios de ser mãe e seguir com uma  carreira ou com os estudos.

Além de ter achado o tom certo, um humor que funciona – o que inclui o narrador que age como uma quebra da quarta parede ao conversar com o espectador e julgar as ações dos personagens-  e conteúdos importantes para tratar, a produção ainda consegue a “cereja do bolo” ao brincar com metalinguagem. Alba ama novelas latinas, as mais clichês possíveis. Ela se envolve com a trama e não perde um único episódio. E o pai de Jane, Rogelio de la Vega (Jaime Camil), é um ator famoso que tem milhares de fãs que o acompanham em todas as suas novelas ( o star system de que falamos antes). Ironicamente – e muito bem pensado-, Rogelio é vivido pelo ator Jaime Camil, conhecido pelo público por seu trabalho em novelas mexicanas populares como  A Feia Mais Bela e As Tontas Não Vão ao Céu, ambas já exibidas pelo SBT.

Gostar de melodrama  não é pecado. Claro que muitas mudanças são necessárias, e a primeira delas é conseguir avançar frente ao conservadorismo enraizado. É preciso refrescar a fórmula e trazer novos elementos – como os trazidos por Jane The Virgin, por exemplo. Obviamente, não se trata também de querer que todas as novelas sejam engajadas e defendam causas, mas é imperativo que não reproduzam conceitos tão nocivos como os que tomam as telas até hoje. Trata-se de um processo. Se você adora uma novela mexicana, apenas aprecie com as devidas ressalvas.

 

COMENTÁRIOS

3 comentários sobre “A novela mexicana no imaginário brasileiro”

  1. Sou apaixonada por novelas mexicanas e felizmente (para mim), não preciso mais assisti-las pelo SBT, que além de fazer cortes exagerados, tem uma dublagem que hoje me incomoda, mas não vou cuspir no prato em que comi, afinal foi graças a essa emissora que conheci essas novelas.

    Concordo em muitas das coisas que você mencionou e na verdade, até os próprios mexicanos (não todos, claro) dizem que as novelas estão ultrapassadas, que precisam se atualizar e ter algum diferencial.
    Nos últimos anos a produtora Giselle González não só tem escutado esses pedidos, como tem agido e não entendo porque você não mencionou isso aqui.
    Já que nessa matéria você chegou a citar novelas inéditas aqui no Brasil (La tempestad y papá a toda madre), não entendo porque não mencionou ‘La candidata’ y ‘Caer en tentácion’, produções da já citada Giselle. Essas novelas são recentes (dois últimos anos) e trataram temas atuais, sem focar no tão mencionado drama sempre tão presente nas novelas mexicanas. A própria imprensa do país não deixou de repetir o quanto a produtora se arriscou ao levar algo tão ousado ao público. E esse público, o que achou? A maioria gostou da inovação e do fato de sua inteligência ser respeitada.
    Ambas produções ganharam como melhor novela nos prêmios TV y Novelas, um dos mais importantes do país y ambas tiveram finais inusitados, fugindo do clichê que estamos tão acostumados. E falando em final, Caer en tentación chegou a ser Trending Topic mundial, feito que nem todo mundo consegue.

    Não vou negar que adoro os dramalhões, mas gosto também de novelas inovadoras e acredito que há espaço para ambos estilos. Mas de algo não tenho dúvida, Giselle González e sua equipe está sendo a pioneira nesse novo estilo de novelas que a Televisa quer investir e não me surpreenderia se em breve outros produtores decidissem seguir o mesmo caminho. E quem mais tem a ganhar, com certeza é o público.

    O que sim é um fato é que a maioria dos brasileiros jamais terá a oportunidade de ver essas excelentes produções da Televisa já mencionadas, porque dessa vez é o SBT que jamais se arriscaria a dar esse tipo de produto para seu público, afinal, é mais fácil continuar com as incontáveis reprises e com os clichês do que dar algo novo e o motivo é apenas um: medo. Sim, medo de polêmica, afinal, se elas foram polêmicas em seu país de origem, não vejo porque não seria da mesma forma aqui no Brasil, afinal de contas, somos dois países bem semelhantes quando o assunto é problemas sociais. Uma grande pena, pois quem perde com isso é o público brasileiro.

      1. Isso é legal, mas de qualquer forma, reitero de que deveriam ter sido mencionadas na matéria em questão, pois de uma forma ou de outra, elas parecem demonstrar que a Televisa tem sim interesse em se atualizar.
        Enfim, é apenas minha opinião 😉

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