Breve Miragem de Sol é o primeiro longa de ficção exclusivo Globoplay

O desemprego ruiu o casamento de Paulo (Fabrício Boliveira). Recém-divorciado, o protagonista de Breve Miragem de Sol, primeiro longa de ficção exclusivo Globoplay, começa a trabalhar nas noites do Rio de Janeiro como taxista para pagar as contas e a pensão atrasada do filho. 

‘Breve Miragem de Sol’/ Divulgação

O trabalho não é fácil, e logo Paulo é consumido por uma rotina extenuante, solitária e muito pouco promissora. De ritmo lento e fatigante, sob a direção de Eryk Rocha, o filme tem como principal preocupação transmitir ao espectador a atmosfera de completa vulnerabilidade que envolve o protagonista, um típico trabalhador brasileiro precarizado; obrigado a todos os dias, sem qualquer tipo de garantias, sair pela cidade em busca da própria sobrevivência. 

O INDIVÍDUO, A CIDADE E O PAÍS

Não temos ideia de quem era Paulo antes do desemprego e do divórcio, mas percebemos que o sujeito visto em tela sente-se esmagado entre a instabilidade do novo serviço e as dificuldades familiares.

Suscetível aos perigos da noite e aos aumentos no preço da gasolina, ameaçado constantemente pelo sono e pela popularização dos carros de aplicativo, o personagem esmorece arrastado de um lado para outro por uma espiral vertiginosa de incertezas costuradas em três dimensões: individuo, cidade e país.

Imagem: divulgação

De dentro do carro, isolado diante da imponência tirânica de um centro urbano – quase sempre filmado de baixo para cima para garantir a representação visual da opressão- , Paulo tem contato somente com os clientes que entram e saem do táxi, na maioria das vezes sendo, de fato, passageiros. Estranhos fugazes, mesmo no caso da personagem de Bárbara Colen.

Como pano de fundo, fragmentos de notícias de rádio e televisão vez ou outra passam batido pela atenção de Paulo, mas servem para situá-lo no contexto macro brasileiro. Em essência, Breve Miragem de Sol opera justamente tratando de como o micro é afetado “imperceptivelmente” pelo macro. Um filme sobre um homem preto e trabalhador, interpretado com enorme dedicação por Boliveira e, como tantos outros, atravessado em todas as esferas da vida pelas contradições das novas dinâmicas de trabalho no país. 

A NARRATIVA 

Assim, dia após dia Paulo se debate contra a correnteza que o empurra para as margens, cada vez mais afogado em solidão, recebendo pouco dinheiro e incentivado a seguir em frente somente pela expectativa de ajeitar a vida para poder voltar a conviver com o filho.

O ritmo da narrativa acompanha esse cansativo e angustiante desenrolar dos conflitos íntimos do personagem, e por isso não deve agradar a muita gente. De qualquer forma, há que se reconhecer os méritos de um filme que dá conta de absorver detalhes do entorno para compor a construção das aflições diárias, sempre a ponto de transbordar, de seu protagonista.

Leia também: “Crítica: A Divisão (Globoplay)”

Trailer

(Fonte: ARUAC Filmes/ YouTube)

Ficha Técnica:

Direção: Eryk Rocha

Duração: 1h38

País: Brasil

Ano: 2020

Elenco: Fabrício Boliveira, Barbara Colen, Cadu N. Jay

Gênero: Drama

Distribuição: Globoplay

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