Crítica: Re:Mind

Re:Mind, uma série japonesa produzida pela TV Tokyo e recém adicionada ao catálogo da Netflix, apresenta uma premissa instigante: onze alunas do último ano do ensino médio acordam presas a uma mesa servida para o jantar, dentro de uma sala assustadora e misteriosa – sem saberem o motivo ou quem as levou até ali.

Mesmo com o mote promissor, somente a curiosidade do público não é o suficiente para sustentar interesse por todos os 13 episódios (ainda que cada um deles contenha menos de 30 minutos de duração). Isso acontece porque a série se atrapalha demais pelo caminho, apresenta muitos problemas e pode acabar não envolvendo qualquer tipo de público.

Imagem: divulgação

Durante os seis primeiros episódios, a trama se desenvolve somente na sala onde as meninas estão mantidas em cativeiro. Reunidas ali e desaparecendo uma a uma, elas acreditam que possuem uma inimiga em comum, alguém que desapareceu e a quem elas fizeram mal no passado. O enredo faz lembrar, principalmente nas partes de intrigas adolescentes e traições, a série teen americana Pretty LIttle Liars. Comparações ao filme Circle também são válidas. No longa de 2015 – também disponível na Netflix –, um grupo de 50 estranhos acorda preso em uma câmara em que não podem se mexer, e qualquer decisão errada poderá culminar em morte.

A temática adolescente e misteriosa ou o áudio em língua não-inglesa, não limitariam o público  alvo por si só. A própria Netflix contém séries que caíram nas graças da audiência, englobando jovens (Stranger Things) e suspense (Dark). Mas, em Re:mind, dois elementos colaboram para que, possivelmente, a adesão do público não seja efetiva: trata-se de um formato que muito se assemelha ao dorama – dramas japoneses produzidos pelas TVs locais, que podem ser novelas ou séries. Sem falar que, a série oscila entre bons e péssimos momentos, incluindo muitos problemas de ritmo, roteiro, atuação e trilha.

Caso você não esteja familiarizado ao conceito e não consiga imaginar o que seria um dorama, esta comparação (bem simplista) pode te ajudar: no caso de Re:mind, o drama se assemelha – e muito – às novelas mexicanas. Com atuações teatrais, diálogos pouco naturais, trilha sonora que insiste em reforçar um sentimento óbvio e reviravoltas mirabolantes, a produção japonesa erra ao exigir que o público se envolva com o mistério muito pouco crível.

As motivações das personagens nunca ficam claras ou parecem aceitáveis e suficientes. Além disso, as reviravoltas não são lá muito plausíveis, e todos os temas abordados (bullying, diferenças sociais, homossexualidade feminina e pedofilia) são tratados de maneira extremamente superficial, quando não leviana.

Apesar de definitivamente não ser uma série “imperdível”, Re:mind parte de uma proposta atrativa – fator que pode chegar a agradar o público mais engajado com produções japonesas –, e vale também como experiência de contato com um formato que é tão “de nicho” no Brasil.

 

Ficha técnica

Criação: Yasushi Akimoto

País: Japão

Ano: 2017

Elenco: Mao Iguchi, Sarina Ushio, Mei Higashimura,Yuuka Kageyama

Gênero: Drama, Suspense

Distribuição: Netflix

 

COMENTÁRIOS

2 comentários sobre “Crítica: Re:Mind”

  1. Você junta 11 garotas numa sala que acham bullyng algo natural, e ve a vida de cada uma apenas a base de depoimentos que podem ou não ser verdade, são so pessoas que estão tentando sobreviver numa sala, Remind não foi feito pra dar uma lição de moral, apenas pra contar uma historia, onde todas tem segredos, e ninguém é de fato uma pessoa boa. Ao menos não naquela sala, não naquele colégio. Nem a propria Miha é uma pessoa boa. E essa narrativa confusa, é justamente pra nos dar um conceito de “adolescentes egoistas fzd merda”. Por isso os temas gatilhos são so jogados pra la e pra ca, elas não estão la pra transimitir moral, nem arrependimento. Nem todos que cometem bullyng são pessoas boas em seus corações, apenas so ignorantes ou egoistas.

  2. Eu terminei a série hoje de madrugada (estou desconsiderando o episódio especial, que pelo visto é quase que uma ideia geral sobre o relacionamento entra as garotas antes dos acontecimentos da série). Ela conseguiu me prender até o último episódio. Quando a reviravolta final ocorre e tudo é explicado, grande parte da força se perde. Mas é a cena final quem destrói completamente a série. Meu sentimento no final foi “eu realmente perdi tempo com essa porcaria?”. É triste, já que ela tinha tudo pra ser uma ótima série. No fim Erased (adaptação do mangá/anime Boku Dake Ga Inai Machi) vale milhões de vezes mais a pena, com uma história muito mais interessante e completamente mais bem produzido.

Deixe uma resposta