O Ano de 1985: a sensibilidade de filme inspirado em curta

Tabus familiares, sexualidade e a efemeridade da vida. Estes são os pontos principais de O Ano de 1985, filme de Yen Tan e inspirado em seu curta-metragem homônimo de 2016, que estreia nesta quinta-feira (25) nos cinemas.

Em plena década de 1980, o jovem Adrian (Cory Michael Smith) retorna de Nova Iorque ao Texas, sua cidade natal, para passar o feriado natalino com a família. Assim, seus pais, Eileen (Virginia Madsen) e Dale (Michael Chiklis), seu irmão Andrew (Aidan Langford), e sua amiga de infância Carly (Jamie Chung) são obrigados a lidar com a presença de alguém já muito querido por eles – o próprio protagonista – , mas por quem nutrem algumas mágoas. Enquanto isso, Adrian luta contra segredos há muito tempo guardados.

Adrian (Cory Michael Smith) / Divulgação

Com ótimas atuações (principalmente a de Smith), uma bela e dramática fotografia em preto e branco, e a ambientação bastante oitentista, O Ano de 1985 tem tantas qualidades que é difícil encontrar quaisquer defeitos. Sua história é tão atraente que nem o mais frio dos espectadores poderá sair da sala de cinema ileso.

Mesmo que o longa-metragem comece com a retratação de hábitos domésticos banais, passamos a acompanhar as misteriosas decisões do protagonista para reencontrar a família. Logo, o filme é composto de uma narrativa surpreendente. Por mais mundana e simples que esta seja – ainda que com acontecimentos profundamente tristes –, a sutileza de seu desenrolar denuncia a genialidade por detrás do roteiro.

Tal como a vida real, que pega-nos de surpresa até mesmo quando fazemos planos detalhistas, o desenvolvimento da trama é lento, mas crescente e impactante. Dessa forma, resoluções previsíveis anulam-se quase que completamente, abrindo espaço para que as surpresas dos espectadores sejam tão genuínas quanto as dos personagens.

As motivações de Adrian para passar o primeiro Natal com a família, por exemplo, depois de muitos anos, encontram-se difusas. Sua amizade abalada com a ex-melhor amiga permanece, também, igualmente misteriosa. O aparente desagrado do irmão do protagonista para com o mesmo; a frieza de seu pai hiper-religioso, e praticamente todas as relações interpessoais de Adrian justificam seus padrões de comportamento à medida em que o filme avança ao sensível desfecho.

(Trailer oficial):

(Fonte: Supo Mungam Films/ YouTube)

Compaixão, solidariedade, empatia, amor…tudo isso é, sabidamente, de suma importância ao convívio social. E, mesmo assim, as pessoas geralmente têm uma dificuldade enorme em priorizar tais qualidades; em prol de moralismos nada saudáveis. O quanto a tolerância para com nossos familiares importa-nos? Na produção, que busca apenas emocionar o público durante cerca de oitenta minutos – tal como no cinema da mais alta qualidade –, é na exploração do cotidiano de seus personagens que vemos enfatizada a concepção de respeito e de cuidado no ambiente doméstico.

Em O Ano de 1985, deparamo-nos com a relevância de momentos aparentemente pequenos, a partir do papel da amizade – não somente entre velhos amigos, mas também dentre pais, filhos e irmãos. E é aí que somos fisgados pelo longa. Não por sua sensibilidade em si, mas pela universalidade de seus temas; poucos, sim, mas tão preciosos e realísticos. Assim, o filme torna-se um retrato honesto de dores e frustrações reprimidas do ser social. Impossível de não se emocionar.

Ficha técnica

Direção: Yen Tan

Duração: 1h25

País: EUA

Ano: 2019

Elenco: Cory Michael Smith, Michael Chiklis, Virginia Madsen, Jamie Chung

Gênero: Drama

Distribuição: Supo Mungam Films


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