Crítica: Valéria (Netflix)

Valéria (Diana Gómez, a Tatiana de La Casa de Papel) é uma escritora com síndrome da impostora. Aos 28 anos, sem estabilidade financeira e vivendo um casamento em crise com Adrián (Ibrahim Al Shami J.), ela passa por um bloqueio criativo. Enquanto insiste em publicar seu primeiro romance, a personagem-título da nova série espanhola original Netflix desabafa sobre as dificuldades da vida adulta millennial com suas três melhores amigas, Carmen (Paula Malia), Lola (Silma López) e Nerea (Teresa Riott).

‘Valéria’/ Divulgação

Baseada nos livros de Elísabet Benavent, adaptada por María López Castaño e muito comparada a Sex and the City, a comédia romântica tem como maior trunfo justamente a interação entre as amigas. Carmen é uma publicitária insegura na arte de flertar; Lola é tradutora, mora sozinha e mantém encontros sexuais com um homem casado; E Nerea é advogada, trabalha com seus pais conservadores e não consegue contar a eles que é lésbica. 

São jovens adultas absolutamente normais (privilegiadíssimas, importante ressaltar), com vidas e personalidades normalmente imperfeitas. Amigas que se reúnem em grupos de whatsapp, cafés ou bares para compartilhar experiências, aflições e pensamentos; ou debater assuntos atuais.

ADULTAS E MILLENNIALS

Embarcar na ilusão de ser feliz trabalhando com o que se gosta ou garantir dinheiro para pagar as contas num mundo tomado pelo desemprego? Manter encontros casuais ou pensar em relacionamentos sérios? Permanecer num casamento em crise por ser seguro ou apostar numa aventura amorosa? Como lidar com as inseguranças sobre si mesma? Parecer egoísta ou anular-se? E os problemas familiares? Essas são algumas das questões que perpassam o desenvolvimento das personagens de Valéria. Personagens que, em conjunto, carregam boa parte do charme da série.

Divulgação

A outra parte do sucesso da produção fica por conta da assertividade no recorte geracional, do cuidado estético, da fluidez agradável da narrativa, das representações de relações contemporâneas e do jogo que se faz, também visualmente, com palavras-chaves típicas dos “romances literários para jovens mulheres”.

Alguns problemas, entretanto, atravancam o potencial de Valéria. Primeiro, a evidente artificialidade de uma Madri onde só existe gente branca e magra. Depois, o estereotipado Victor (Maxi Iglesias), sedutor que parece ter saído de um comercial de perfume, e a reprodução de estereótipos de feminilidade. Isso sem falar, claro, na orientação sexual de Nerea, que, no geral, soa apenas como uma carta na manga de quem diz “vejam, não temos só mulheres correndo atrás de homens nesta série”.

São falhas que podem ser ajustadas para uma próxima e possível temporada. O que por certo não deve mudar é a pouca originalidade do roteiro, que embora se dedique às personagens, muito se assemelha a outras produções Netflix vendidas como “empoderadas” apenas por darem protagonismo a dilemas femininos. Repetidas como um slogan.

Imperfeita, porém cativante, Valéria pode ganhar o espetador por ser uma boa “série distração”; daquelas que a gente assiste quando quer dar algumas risadas, pensando em nada.

Trailer:
(Fonte: Netflix Brasil/ YouTube)

Ficha técnica

Criação: María López Castaño

País: Espanha

Ano: 2020

Elenco: Diana Gómez, Silma López, Paula Malia e Teresa Riott, Ibrahim Al Shami J., Maxi Iglesias

Gênero: Comédia romântica

Distribuição: Netflix

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