Conheça A Rã e Deus, curta de Alice Furtado, diretora brasileira selecionada para a Quinzena dos Realizadores do 72º Festival de Cannes

Sem Seu Sangue, primeiro longa-metragem da diretora Alice Furtado, foi selecionado para a Quinzena dos Realizadores do 72º Festival de Cannes, e portanto representará o Brasil em um dos festivais mais prestigiados do mundo.

A obra conta a história de Silvia (Luiza Kosovski), uma adolescente aborrecida pela rotina, que vê em Artur (Juan Paiva), seu novo colega de classe, uma oportunidade de sentir-se menos apática. O jovem, hemofílico, tem histórico de ter sido expulso de várias escolas. Aparentemente impulsivo, ele desperta certo fascínio em Silvia. Os dois acabam convivendo intensamente, até uma interrupção inesperada acontecer.

O longa ainda não tem data prevista para estrear no circuito comercial brasileiro, mas enquanto ele não é lançado por aqui você pode conhecer o trabalho de Furtado através do curta A Rã e Deus, de 2013.

‘A Rã e Deus’ / Divulgação

Rodado na França e integralmente falado em francês, o curta acompanha um pequeno espaço de tempo na vida de um casal. Ela, mais velha, está grávida. Ele, com 20 e poucos anos, inquieto. Os dois vivem juntos num apartamento minúsculo há algum tempo, mas o dinheiro acabou – e, ao que tudo indica, as perspectivas também.

Neste filme de quase 20 minutos, a diretora já dá indícios de sua inclinação a contar histórias sobre amores românticos, intensos, desapegados da materialidade do cotidiano e que terminam em situações de suspensão.

A primeira parte de A Rã e Deus é gravada dentro do apartamento, situando os conflitos do casal e expondo que o relacionamento, que parece outrora ter vivido épocas de glória, foi atingindo em cheio pelas demandas da vida adulta.

Em seguida, os personagens deixam para trás toda uma situação de desconforto e começam a caminhar pela rua, captados em um plano sequência repleto de chacoalhões. Aparentemente sem destino certo, o comportamento do casal nos leva a acreditar que a caminhada tem a ver com distanciar-se das angústias que recusam viver. E o final, ambíguo, fica a mercê da interpretação do público.

No geral, o curta trata do não dito, das verdades carregadas nos olhares, das possibilidades, dos parênteses, reticências e bloqueios. Das entrelinhas da vida, daquilo que é sentido, mas nem sempre externado. Assim, Alice Furtado não somente demonstra ter inclinação a abordar a instabilidade como também opta por fazê-lo narrativa e esteticamente. Aguardemos para ver o que  Sem Seu Sangue nos reserva.

Leia também: O Duplo, curta nacional de terror dirigido por Juliana Rojas

Ficha técnica

Direção: Alice Furtado

Duração: 19 min

País: Brasil, França

Elenco: Caroline Ducey, Finnegan Oldfield

Ano: 2013

Gênero: Drama

Disponível em: Canal Hysteria


COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta