Crítica: A Louva-a-deus, nova série original Netflix

O ano de 2017 acabou com um balanço bastante positivo em relação às séries originais estrangeiras (não americanas) da Netflix. Mesmo que as produções em língua não inglesa não tenham chegado à plataforma de streaming com o mesmo hype de uma Stranger Things, elas se saíram muito bem diante do público e da crítica.

No fim de abril, foi lançada a primeira temporada de As Telefonistas (Las Chicas del Cable). A primeira série original espanhola da Netflix está com 91% de aprovação da audiência no site Rotten Tomatoes, e, com uma velocidade impressionante, a segunda temporada já foi lançada em 25 de dezembro.

Dezembro também foi o mês de Dark, primeira série original alemã Netflix que chegou surpreendendo o público e conseguiu 86% de aprovação da crítica e 95% da audiência no Rotten Tomatoes. Depois, no dia 29 de dezembro, e aos 45 do segundo tempo, foi a vez da estreia de A Louva-a-deus (La Mante), série original francesa.

A Louva-a-deus é aquela típica série que estreia sem muito estardalhaço e pode passar despercebida em meio ao catálogo recheado. Por isso, a dica é: não deixe de assistir a esse ótimo drama policial francês.

Na trama dirigida por Laurent Alexandre, Jeanne Deber (Carole Bouquet), conhecida como “a Louva-a-deus”, é uma famosa serial killer que foi presa na década de 90 por matar pais violentos e incestuosos, ou que haviam abandonado a família. Depois de 25 anos, um imitador surge copiando seus crimes e, então, Feracci (Pascal Demolon), superintendente da polícia que prendeu Jeanne em 1990, é obrigado a cuidar do caso. Para ajudá-lo a encontrar o imitador, Jeanne exige que o filho policial, Damien (Fred Testot), também esteja na equipe de investigação.

Imagem: divulgação

Positivamente surpreendente, a série é uma sucessão de acertos, a começar pelo enredo bem orquestrado. Todo o desenrolar da narrativa e seu ritmo levam a caminhos muito bem planejados. Nada parece demais ou de menos. Os seis episódios funcionam muito bem e o espectador não fica cansado, como se estivesse assistindo a um longo episódio de uma série policial procedural (o tipo de série que apresenta um mesmo formato narrativo em todos os episódios, com “casos da semana”), e não sente que as coisas são conduzidas de forma acelerada. É uma produção curta, mas que soube usar muito bem sua duração.

Outro ponto positivo é a complexidade dos personagens. Todos eles cumprem bem sua função e são peças essenciais para a boa realização da trama – a começar por Jeanne. Quantas vezes assistimos algo sobre uma serial killer mulher? Graças à literatura e à cultura pop, tem-se dados não oficiais de que o número de mulheres que matam-em-série é bem menor do que o de homens. Mas, por que nunca produzir algo nesse sentido? A Louva-a-deus não mostra Jeanne exatamente “em ação”, mas trata o arco da personagem de forma bastante competente – sem falar que a atuação de Carole Bouquet é excepcional.

Em certo momento, o código de conduta de Jeanne, que só mata “homens ruins”, faz lembrar um pouco de Dexter, mas logo suas diferenças superam as semelhanças. Em grande parte, a personalidade tão própria da série original se deve à sua origem francesa, sem dúvidas. Nela, aplicam-se características que já conhecemos do cinema francês, como tom e ritmo menos constantes – o que é uma qualidade, por contribuir com o charme que a torna diferente de grande parte das séries policiais. Sendo assim, essa é uma bela oportunidade de ter um maior contato com a produção audiovisual francesa, para além do cinema.

Vale destacar também a diversidade do elenco. Ele é diverso apenas porque as pessoas são naturalmente diversas, e não porque os atores estão em papéis cheios de clichês, por suas cores ou gêneros. Inclusive, as mulheres não necessariamente estão ali para se empoderarem ou serem exemplos de boa conduta. Elas são personagens complexos, assim como os homens, e seus arcos são muito justos.

Se você está procurando por um drama policial bem estruturado e emocionante, com um quê de cinema francês, reviravoltas, personagens bem delineados e que seja fácil de maratonar, A Louva-a-deus pode ser uma boa pedida. Além do que, a temporada tem começo, meio e fim, e você não vai se frustrar com interrupções abruptas na história.

 

Ficha técnica

Criação: Laurent Alexandre

País: França

Ano: 2017

Elenco: Carole Bouquet, Fred Testot, Pascal Demolon, Élodie Navarre

Gênero: Drama, Policial

Distribuição: Netflix

 

COMENTÁRIOS

6 comentários sobre “Crítica: A Louva-a-deus, nova série original Netflix”

  1. Achei que o diretor/ escritor escorregou na maionese e quis fazer 10 histórias em uma. Começou bem e vai bem até a metade, mas a sobrecarga de acontecimentos em cima do Damien foi exagerada, podia parar só na Louva-a-Deus.

  2. Louva-deus é uma série bem feita, a trama é boa, mas não passa de um filme machista e transfóbico.
    Vejamos os personagens:
    1. A trans é uma psicopata assassina, que mata porque é rejeitada. Ao que parece, nunca encontrou ninguém no mundo que gostasse dela do jeito que era, ou ao menos simpatizasse com ela e/ou se apiedasse de sua situação.
    2. A louva-deus é uma justiceira, que não conseguiu superar seus traumas e por causa disso se achou no direito de fazer justiça com as próprias mãos, ao invés de levar os casos à justiça. E inclusive abandonou o filho de dez anos aos cuidados do pai pedófilo.
    3. A única mulher equilibrada no filme é a esposa, dedicada, compreensiva, boa mãe e com uma profissão feminina.
    4. Os três exemplos anteriores até poderiam passar batido, não fosse pela quarta personagem feminina, a ÚNICA policial mulher:
    – ambiciosa, com sede de poder, logo no início se oferece para o cargo vago de chefia;
    – mesmo tendo sido comunicada que o cargo já havia sido preenchido, e com argumentos justificáveis, mostrou-se rancorosa e antiprofissional, não respeitando o superior e inclusive agindo pelas suas costas;
    – durante todos os episódios, só deu bolas fora. No último episódio, contestou a troca da esposa pela mãe, sob o argumento de que poderiam ser cúmplices. Ou seja, uma profissional incompetente e sem noção;
    – já os demais policiais, todos homens, mostraram-se sérios, éticos, competentes, focados e comprometidos com as atribuições para as quais foram designados;
    – o único negro do filme foi retratado como uma pessoa subserviente e consciente de sua suposta inferioridade.
    Resumindo: os homens maus são uma minoria que os homens bons estão aptos para combater. Já as mulheres não têm estrutura para lidar com situações difíceis. A elas cabe somente serem boas esposas, mães dedicadas e realizarem tarefas domésticas.
    Pura lavagem cerebral feita por conservadores machistas e preconceituosos, provavelmente fascistas, neonazistas ou coisa que o valha.

    1. Sério mesmo que vc pensa tudo isso que escreveu? Em minha opinião vc não entendeu ou não enxergou a profundidade de cada um dos personagens.

    2. Tem umas nuances forçadas sim, claro; o que faltou com certeza foi um pouco mais de detalhes da vida dos personagens, Zsofia talvez pudesse já está apta para o cargo, e esperando a tempos, foda vim alguém de não sei onde e sem explicações ( para ela claro) ocupar a vaga, coisas que qualquer homem também faria, se fosse ambicioso, e o negro não se diminuí em momento algum, executa com louvor sua obrigação. Jeaane certamente sofreu com transtorno pós traumático, não lembrava exatamente as coisas que rolavam com seu pai, certamente uma sádica que encontrava motivos para matar. Um pai lixo Que só sabia repetir que estava doente.
      Camille sempre foi rejeitada, talvez seu maior erro foi querer ser amada como uma mulher, não como trans, talvez se ela tivesse procurado apoio em grupos de LGBTS. Mas a série é boa, muito boa!

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