Euphoria (HBO): adolescência e magnetismo

Euforia é o tipo de sensação que pode ser provocada tanto por alterações químicas naturais quanto por drogas. De qualquer forma, esse estado emocional é tão fascinante que atrai principalmente os jovens, no início de sua maturação; ou mesmo representantes de outras idades, cujo bem-estar geral esteja relativamente comprometido. É em cima disso que a trama de Euphoria, nova série da HBO, fora idealizada.

Criada por Sam Levinson, a produção é baseada na série israelense homônima de Ron Leshem, Daphna Levin e Tmira Yardeni. Rue (Zendaya) é uma adolescente que acaba de retornar da reabilitação contra drogas. Sem perspectiva de manter-se sóbria, a garota reinicia o ciclo de compra e consumo das substâncias. Pouco tempo depois, ela faz amizade com Jules (Hunter Schafer), uma menina interessante e autêntica que mudara-se recentemente. A partir daí, outros personagens são apresentados ao espectador e ganham, cada um, um episódio dedicado a si; e narrado por Rue.

De título apropriado ao objetivo das principais figuras – o frenesi social –, a produção exibirá o seu sexto episódio no próximo domingo (21). Desde a estreia, aliás, no terceiro fim de semana de junho, a série agrega ao que há de mais valioso na televisão paga atualmente, pela maestria de um roteiro envolvente e cuidadoso.

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Sensibilidade deslumbrante

Para além disso, qualquer mero elogio ao que Euphoria tem mostrado é insuficiente para traduzir a sua qualidade. O ineditismo resultante de direção, atuações e enredo frescos é também surpreendente; visto que a série é sobre um grupo de jovens escolares. Quantas vezes já não assistimos a algo nessa linha? Mas, não como na produção da HBO.

Em somente cinco episódios, Euphoria é capaz de empenhar-se em uma construção dramática impecavelmente coerente. O tanto de romance realista e sensível é também proporcional às críticas pertinentes. Assim, a representatividade nada panfletária das protagonistas é somente um bônus relevante da série; Rue é negra, e Jules é uma adolescente transgênero (tal como Schafer).

No caso desta última, e por mais que a questão da transfobia seja eventualmente abordada pela produção, a naturalidade de sua identidade de gênero é transmitida, mesmo, como algo totalmente normal. Além disso, a série traz diversos temas comuns à adolescência, como relacionamento abusivo, depressão e pornografia de vingança. No entanto, diferentemente das inúmeras produções de conteúdo similar, Euphoria trata de todos os seus assuntos com o devido respeito.

É simplesmente deslumbrante a sensibilidade que a série carrega, e de modo inovador. Seria injusto dizer que a produção é cem por cento original, considerando justamente a grande quantidade de filmes com a mesma temática. Mas, é fato que a original HBO demonstra ter reinventado o gênero.

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Imersão

Outro ponto alto de Euphoria é a moderna trilha sonora. Com canções de Beyoncé, Billie Eilish e Migos, há cenas dignas de um videoclipe recém-lançado. O quarto episódio, por exemplo, Shook One Pt. II, é todo produzido a partir de planos-sequências musicados; o que auxilia na manutenção de um ritmo gradual da narrativa.

Quanto à história de Rue e Jules, esta amadurece cada vez mais. O que há entre ambas pode ser descrito como uma relação de amor, dos mais puros e bondosos. Mesmo que a paixão, efêmera, possa não vingar, o embalo atraente dentre as meninas dá sinais de um laço afetivo permanente. Afinal, não há nada como uma amizade sincera, para fortalecer os bons hábitos – ou desincentivar certos vícios.

A série propõe uma imersão difícil – pela seriedade de seus temas –, mas muito emocionante. Logo, Euphoria seduz e abraça o espectador, na finitude de excitação dos personagens.

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Episódios inéditos de Euphoria, todo domingo, às 23h, na HBO.

Ficha técnica

Criação: Sam Levinson

País: EUA

Ano: 2019

Elenco: Zendaya, Hunter Schafer, Maude Apatow, Angus Cloud, Eric Dane

Gênero: Drama

Distribuição: HBO

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