A Usurpadora virou série de televisão

Esqueça os Bracho. A versão série de A Usurpadora mantém pouco da clássica novela mexicana que ganhou o mundo, conquistou fãs e, no Brasil, chegou a ser reprisada inúmeras vezes. 

O remake marca a estreia do Fábrica de Sonhos, projeto da Televisa que se propõe a revisitar as tramas mais clássicas da emissora, repagina-las e transformá-las em séries de 25 episódios. Dentre as próximas novelas a serem relançadas com novo formato estão Rubi, O Privilégio de Amar e A Madrasta

‘A Usurpadora’ / Divulgação

Precursora da empreitada, A Usurpadora será exibida em horário nobre na TV mexicana pelo Canal de las Estrellas de segunda a sexta, e seu primeiro episódio foi lançado oficialmente na noite de ontem (2). Antes disso, na sexta-feira (30), o “Las Estrellas” disponibilizou os cinco primeiros episódios da produção em seu site.

UMA NOVA TRAMA?

Na nova versão da novela de 1998, Paola de Bernal (Sandra Echeverría) é a primeira-dama do México, esposa do presidente Carlos (Andrés Palacios) – que não é Daniel. Quando descobre a existência de Paulina (Sandra Echeverría), sua irmã gêmea que vive na Colômbia, Paola decide chantageá-la. 

Seu plano: deixar a irmã pobre se passar por primeira-dama por alguns dias, fugir com o amante e, depois, matar a usurpadora em público, durante um evento presidencial. Dessa forma, todos acreditarão que a primeira-dama morreu e ela estará finalmente e completamente livre.

Imagem: divulgação

Além das mudanças na premissa, a série apresenta uma configuração da família protagonista consideravelmente diferente da original. Os filhos de Carlos, por exemplo, são adolescentes; a atrapalhada Lalita não existe; e Vovó Piedade (Queta Lavat), antes matriarca e alicerce da casa, agora surge quase que como figurante e alívio cômico chinfrim. 

Já o clássico melodrama latino familiar desce do pedestal de astro e aparece dividindo espaço com o gênero policial. Tal opção sugere que a Televisa está interessada em aproximar o que faz de melhor, os dramalhões, de um dos gêneros de seriados que mais dá certo nas plataformas de streaming de alcance global.

O problema é que tudo acaba soando desnecessariamente grandioso e, ao mesmo tempo, insuficiente. Os conflitos nos negócios da família deixam de acontecer na fábrica Bracho e vão parar na Presidência da República. Assassinatos são colocados em cena logo de início. São escolhas pomposas que até agora não mostraram a que servem.

No geral, a trama parece querer distanciar-se da identidade da novela. Por outro lado, sempre há um retorno à espinha dorsal da obra original, tanto para desenvolver a narrativa quanto para atrair o público. Cria-se, então, uma produção de personalidade fraca, que não define se trilha rumo próprio ou se assume ser um remake.

PAOLA E PAULINA

Sandra Echeverría definitivamente recebeu uma missão desafiadora ao ser escolhida para interpretar gêmeas tão icônicas no mundo das telenovelas. Desvencilhar-se do trabalho irretocável de Gabriela Spanic certamente não seria fácil, e a atriz faz o que pode. O resultado, porém, é um tanto frustrante. 

Sem muita ajuda do roteiro, a Paola de Echeverría apresenta-se essencialmente menos ambiciosa e muito mais emocional; por vezes – muitas vezes -, até irracional em excesso. Uma vilã de pouca personalidade e muitos chiliques, que não consegue estabelecer marca própria.

Imagem: divulgação

Chama atenção, inclusive, que a personagem tenha quebrado um cômodo inteiro em meio a ataques de fúria em cada um dos três primeiros episódios da série. Falta peso na carga dramática, frieza, sarcasmo e sofisticação nas maldades.

A versão irmã boa, no entanto, se sai melhor. Paulina trabalhava como ativista na Colômbia antes de ser sequestrada pela irmã. Uma vez usurpadora, a personagem oscila entre sofrer pela vida que deixou e tomar atitudes para mudar o que acredita estar errado na dinâmica de sua nova família. Trata-se de um arco muito pouco inovador, mas seguro para uma personagem que já deu certo sendo assim antes. 

Com ritmo acelerado mesmo enquanto pouca coisa efetivamente acontece, e aparentemente sempre pisando ovos sobre ser ou não um derivado, os primeiros episódios da trama não dão tempo para que o público se envolva com a nova proposta e muito menos para que reencontre o que mais gostava no formato novela.

Talvez o resultado final até possa agradar aos mais desprendidos, aqueles que não elevaram as expectativas. Mas, de qualquer forma, fica nítido que a série deixa a desejar na soma de fatores que fizeram de A Usurpadora, a novela, um nome de peso na história do entretenimento melodramático. 

Ficha técnica

Produção executiva: Carmen Armendáriz

País: México

Ano: 2019

Elenco: Sandra Echeverría, Andrés Palacios, Arap Bethke, Queta Lavat

Gênero: Melodrama, Policial

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