Alita: Anjo de Combate pretende profundidade em metalinguagem high-tech

Ficção científica baseada em mangá, Alita: Anjo de Combate, estreia nesta quinta-feira (14) nos cinemas. De Robert Rodriguez (Um Drink no Inferno), o longa-metragem conta com a coprodução e coautoria de James Cameron (Avatar).

Na adaptação da história de Yukito Kishiro, o Dr. Dyson Ido (Christoph Waltz) encontra um organismo cibernético, em meio a destroços do ano pós-apocalíptico de 2563. Após “A Queda” – uma guerra tecnológica que levou cidadãos como os da Cidade de Ferro à ruína –, o sonho dos desafortunados é ascender a Zalem; uma comunidade de elite que paira sob os céus da Cidade.

É nessa ambientação cyberpunk que Ido depara-se com o núcleo descartado da ciborgue; a quem presenteia com um novo corpo e nomeia de Alita (Rosa Salazar). A protagonista, então, desperta sem memórias de sua outra “vida” e, aos poucos, revela-se uma filha para o reparador de robôs.

Imagem: divulgação

Em uma vibe indissociável do Pinóquio original (livro de 1881, escrito por Carlo Collodi), o roteiro de Alita não sustenta o peso dramático a que se propõe; uma vez que o objetivo de tornar o filme em um blockbuster vai de desencontro à qualquer profundidade de seu contexto e personagens.

É claro que a junção de tecnologia e/ou ficção científica com altas bilheterias pode ser algo bastante efetivo – como em Vingadores: Guerra Infinita (2018), a última trilogia Star Wars (2015 até o momento) ou o próprio Avatar (2009). O problema de Alita, no entanto, está justamente na hibridez de um roteiro que não encontra o seu tom.

Através da notável técnica de captura de movimento (gravação de movimento e transposição do mesmo em modelo digital), Alita, de fato, firma seu ponto alto nos efeitos visuais, assim como na mixagem de som. Mas, somente ação e deslumbramento visual – que cresce absurdamente nas telas de IMAX – não são capazes de deslanchar o filme de Rodriguez.

Imagem: divulgação

Mesmo com o elenco estelar da superprodução – formado por nomes como o de Waltz, Jennifer Connelly (na pele de Chiren) e Mahershala Ali (como Vector) –, as boas atuações desenvolvem-se de maneira superficial. Tantos elementos atrapalham a consistência de um representante vilanesco, já que o longa-metragem aposta no maniqueísmo de seus personagens principais. Ademais, ainda que o caráter de alguns deles seja posto em xeque no decorrer do filme, a produção não consegue fugir do clichê “bem vs. mal”.

Divertido e com diálogos notavelmente cuidadosos, Alita poderia ser muito mais do que um longa high-tech. O dinamismo de seu enredo acaba por soar confuso, e a pretensão de ser um monte de coisas diferentes (cult, mas acessível; de ficção científica, mas regado de ação) deixa o filme passível de esquecimento.

Como em A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017), adaptação de um cultuado anime japonês, a ocidentalização de Alita: Anjo de Combate não é capaz de fazer jus à obra original. Assim, ao final das contas, a ação empolgante, tal como a metalinguagem de um filme feito em e sobre alta tecnologia, sequer escondem a tentativa do mesmo em parecer profundo. Muita transferência de sentido do mangá, para pouca harmonia artística e audiovisual.

Confira o trailer legendado oficial abaixo:

Fox Film do Brasil/ YouTube

Ficha técnica

Direção: Robert Rodriguez

Duração: 2h02

País: EUA, Argentina, Canadá

Ano: 2019

Elenco: Rosa Salazar, Christoph Waltz, Jennifer Connelly, Mahershala Ali

Gênero: Ficção científica, Ação

Distribuição: Fox Film do Brasil


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