Fleabag, a curiosa série que conquista a todos

Este texto não contém spoilers.

Ao término da cerimônia de premiação do Emmy Awards 2019, que aconteceu no penúltimo domingo de setembro (22), a série Fleabag saiu-se a principal vitoriosa da noite. Para tanto, a segunda temporada da produção criada, escrita e protagonizada pela inglesa Phoebe Waller-Bridge venceu em quatro categorias do maior prêmio da televisão estadunidense: Melhor Série; Direção (para Harry Bradbeer); Roteiro (para Waller-Bridge, por Episode 1), e Atriz em Série de Comédia (também para a criadora do programa de TV).

Exibida originalmente pela emissora britânica BBC Three, Fleabag está disponível na plataforma de streaming Prime Video, da Amazon, no Brasil. Talvez pela repercussão pós-Emmy ou, quem sabe, pela recente chegada do streaming ao país latino-americano, o fato é que a comédia dramática tem conquistado timidamente amantes de cinema; bem como o espectador interessado em um conteúdo fresco e que dialogue com as novas gerações de maneira honesta.

Sob uma perspectiva feminista – da última década –, Fleabag estreou em julho de 2016 com seis episódios de cerca de 20 minutos de duração, cada. Por conseguinte, a crítica de relacionamentos interpessoais, que se une a uma abordagem dinâmica e espontânea, atrai um público que se identifica com a temática. Afinal, as desilusões com a vida profissional e as consequências do machismo estrutural são questões muito presentes nas vidas de jovens mulheres.

Cena da primeira temporada de Fleabag. A protagonista (Phoebe Waller-Bridge) está em primeiro plano, com uma expressão vazia e com a maquiagem borrada, como se estivesse chorando.
Imagem: divulgação

Sobre a trama

Além do mais, a série tem como protagonista uma jovem sem o próprio nome mencionado; uma figura que quebra a quarta parede – artifício de roteiro, no qual um personagem dirige-se diretamente ao espectador – de modo contínuo; alguém com um grande apetite sexual, e que não possui um centavo para cobrir os custos de seu estabelecimento (um café, de decoração improvisada e às moscas).

Creditada apenas como Fleabag, tal como o título da série, a protagonista (Waller-Bridge) tem uma irmã bem-sucedida, Claire (Sian Clifford), um pai distante (Bill Paterson) e uma madrasta com desvio de caráter (Olivia Colman). Esta, por sinal, era a madrinha de batismo das, agora, enteadas; mas, quando a mãe delas morreu, a excêntrica figura tornou-se, também, sua madrasta.

Cena da segunda temporada de Fleabag. A protagonista (Phoebe Waller-Bridge) está encostada em uma parede de tijolos. Ela fuma um cigarro e olha para a sua direita, de modo desconfiado. A personagem usa um vestido preto muito decotado e elegante.
Imagem: divulgação

Já a sócia e melhor amiga de Fleabag, Boo (Jenny Rainsford), morrera há pouco tempo, após jogar-se na frente de um carro, no intuito de quebrar algum membro e chamar a atenção do ex-namorado. Ao contrário disso, no entanto, o incidente culminou em um “suicídio acidental”, como a que Fleabag refere-se.

Tudo isso é introduzido ainda na primeira temporada da produção; que fora inicialmente pensada como uma minissérie, visto que a série é adaptada de um monólogo teatral de Waller-Bridge do festival de artes Edinburgh Festival Fringe (em Edimburgo, na Escócia). Por isso é que a protagonista quebra a quarta parede na maioria das cenas – e sempre de forma adequada à história.

Mais de Phoebe Waller-Bridge

Com o sucesso da produção, sua criadora decidiu escrever mais seis episódios para uma segunda temporada. Assim, o resultado dessa escolha foi o melhor possível: uma aprovação ainda maior do público, ademais da unanimidade da crítica especializada e quatro prêmios Emmy.

Desta vez, Fleabag apaixona-se por um padre católico, vivido por Andrew Scott (Sherlock). O sentimento, que é recíproco, dá pano para manga para confusões inusitadas e à dissecação de tabus sociais. O padre (também sem nome mencionado), por exemplo, foge de muitos padrões moralistas da Igreja, até mesmo antes de apaixonar-se. Consequentemente, o personagem chama a atenção da deslocada protagonista, que, então, reencontra um motivo para continuar a conversar com a plateia do outro lado da tela.

Cena da segunda temporada de Fleabag. A protagonista (Phoebe Waller-Bridge) encara sorridente o padre (Andrew Scott) por quem se apaixona. De batina, o padre sorri de volta para ela. Ambos estão no interior de uma igreja.
A protagonista (Phoebe Waller-Bridge) e o padre (Andrew Scott) por quem ela se apaixona / Divulgação

Mesmo com a popularidade crescente de Fleabag, a série não será renovada para uma terceira temporada. O que é totalmente compreensível e, inclusive, admirável – pelo fato de Waller-Bridge ter optado pelo encerramento por motivos criativos. No fim das contas, a última temporada termina, de verdade, de maneira sensível e apaixonante; à semelhança da produção inteira.

Mas, se você for um fã inconsolável de Fleabag ou de sua criadora, não se desespere: você poderá assistir a outros trabalhos igualmente bons de Waller-Bridge – como a célebre Killing Eve, da BBC America, na qual a artista é creditada como produtora executiva e roteirista; ou a comédia Crashing (2016), da Channel 4, a qual Waller-Bridge também escreveu e estrelou. As duas primeiras temporadas de Killing Eve estão disponíveis aos assinantes da Globoplay, enquanto que Crashing pode ser assistida na Netflix.

Ficha técnica

Criação: Phoebe Waller-Bridge

País: Reino Unido

Ano: 2016 – 2019

Elenco:  Phoebe Waller-Bridge, Sian Clifford, Olivia Colman, Andrew Scott

Gênero: Comédia, Drama, Romance

Distribuição brasileira: Amazon Prime Video

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