Juanita: aos 66 anos, Alfre Woodard protagoniza comédia romântica da Netflix

Juanita, longa-metragem dirigido e roteirizado por Clark Johnson, acaba de chegar ao catálogo da Netflix. Sua estreia em pleno Dia Internacional da Mulher é simbólica: quantas vezes você assistiu a uma comédia romântica protagonizada por uma mulher negra que já passou dos 60 anos?

Frequentemente, comédias românticas dão conta de narrar as histórias de personagens femininas jovens e brancas, que passam por maus bocados até encontrarem o homem ideal ou o amor próprio. Juanita, entretanto,  atreve-se a partir de uma premissa mais inédita: a protagonista – que dá nome ao filme -, interpretada por Alfre Woodard, é uma mulher que já viveu muito, criou três filhos sozinha, se frustrou com a propria trajetoria e decidiu largar tudo para se reencontrar.

Alfre Woodard como Juanita / Divulgação

Logo nas primeiras cenas, a personagem-título rompe com a quarta parede para nos contar, com suas próprias palavras, como é ser quem é. Percebemos que a dupla jornada de trabalho (emprego e família) e a carga emocional de ver os filhos tomando caminhos duvidosos a esgotam. Seu único alívio no dia a dia é sonhar que está interagindo e flertando com o ator Blair Underwood, um caso imaginário que, a certa altura, também a desaponta – resultado de suas baixas expectativas em relação aos homens da realidade.

Decepcionada com a rotina e pretendendo dar espaço para que os filhos, de uma vez por todas, deixem de ser dependentes dela, Juanita larga tudo e parte sem destino certo para encontrar novos propósitos de vida, algo que volte a emocioná-la. É assim que a personagem vai parar em uma cidadezinha minúscula e montanhosa, começa a trabalhar em um restaurante e conhece novas pessoas.

Imagem: divulgação

Juanita mistura elementos dos gêneros comédia romântica, drama e road movie. Se analisado do ponto de vista da comédia romântica, o filme é de fato singular, já que é incomum que mulheres negras e acima dos 60 anos protagonizem produções do gênero. É também muito pouco provável que os pares românticos  das protagonistas desse tipo de obra pertençam a povos marginalizados e não correspondam aos estereótipos do galã hollywoodiano.

Por outro lado, o longa se apega tanto a necessidade tola de entregar  uma jornada de redescoberta e romance redonda e universal que acaba fazendo uso de elementos muito batidos. Assim, nem a protagonista extremamente carismática dá conta de sanar as fragilidades do enredo e da construção dos personagens.

Imagem: divulgação

Os grandes méritos do filme são, sem dúvidas, a diversidade do elenco, o destrinchar das cargas emocionais de uma mulher negra mãe solo e as relações de afeto e  noções de comunidade que são construídas ao longo da narrativa. Em conjunto, os personagens funcionam muito bem. Separados, parecem reproduções de arquétipos. São modelos já vistos, que, dependendo da condução, podem dizer muito e nada ao mesmo tempo. Em Juanita, eles dizem mais ou menos.

Claro que em uma comédia romântica há sempre altas doses de previsibilidade,  mas com certeza mulheres negras, lésbicas e povos indígenas merecem representações cinematográficas mais complexas e generosas – mesmo em um filme que mistura humor e romance. Estar presente por estar presente nunca é o melhor tipo de representatividade. Com certeza é possível escapar da fórmula e utilizar os artifícios do gênero de maneira a oferecer um pouco mais de originalidade e consistência ao público. Um filme como Juanita merecia ter se permitido ir além.

Assista ao trailer:

(Fonte: Netflix Brasil/ YouTube)

Ficha técnica

Direção: Clark Johnson

Duração: 1h30

País: EUA

Ano: 2019

Elenco: Alfre Woodard, Adam Beach, Ashlie Atkinson, Blair Underwood

Gênero: Comédia, Romance, Drama

Distribuição: Netflix


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