Crítica: Perdi Meu Corpo (Netflix)

Vencedora do Grande Prêmio da Semana da Crítica do Festival de Cannes deste ano, a animação Perdi Meu Corpo, que conta com direção de Jérémy Clapin e texto de Guillaume Laurant, indicado ao Oscar de Melhor Roteiro por O Fabuloso Destino de Amélie Poulain,  acaba de chegar à Netflix

‘Perdi Meu Corpo’/ Divulgação

Na trama, uma mão decepada perambula por Paris em busca do corpo ao qual pertence. Em paralelo, o jovem Naoufel (Hakim Faris) sente-se deslocado. Quando criança, queria ser astronauta e pianista, mas um acidente muda seus planos e o transforma em entregador de pizzas.

De um lado, a viagem insólita da mão que encara uma porção de adversidades para reencontrar o que perdeu; sempre recuperando memórias afetivas sobre os bolos que provou, os instrumentos que tocou e as areias da praia por onde se enterrou. Do outro, Naoufel frustrado com a própria vida e apaixonado por Gabrielle (Victoire Du Bois).

Singelo e, mesmo assim, quase kafkiano, Perdi Meu Corpo investe em planos pouco habituais para sempre priorizar, justamente, as mãos – tanto a mão-personagem como as mãos de Naoufel. É desta forma que a obra busca construir imagens sensoriais para tratar de afeto, fragilidade ou solidão.

A METÁFORA

A mão errante e o garoto errante: duas pontas de uma mesma trajetória metafórica. A mão afetada por um trauma físico e desorientada pela cidade. Naoufel afetado por um trauma emocional e perdido em si mesmo, sem lugar no mundo. Ambos tentando entender como superar um labirinto que parece sem saída. Os dois, cada um a seu modo, buscando como reencontrar a si mesmos.

É verdade que, por vezes, o filme explora em excesso a força do simbolismo – repetindo sequências ou dedicando mais tempo que o necessário para o percurso da mão perdida. Mas para além de um exercício de criatividade inusitado e intrigante sobre quais desventuras uma mão decepada pode enfrentar pelas ruas de uma metrópole, Perdi me Corpo mostra-se como emocionante história de redescobertas e reconexões. Sem dúvidas, uma encantadora animação para adultos. 

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Trailer: 

(Fonte: Netflix Brasil/ YouTube)

Ficha Técnica:

Direção: Jérémy Clapin

Duração: 1h21

País:  França

Ano: 2019

Elenco: Hakim Faris, Victoire Du Bois

Gênero: Animação

Distribuição: Netflix

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