Crítica: Spectros (Netflix)

Foi com quase nenhuma divulgação que Spectros, nova série brasileira original da Netflix, estreou no último dia 20. Ambientada no bairro da Liberdade, em São Paulo, a produção acompanha Mila (Claudia Okuno), Pardal (Danilo Mesquita) e Carla (Mariana Sena), três adolescentes arrastados para o centro de um conflito entre uma bruxa e um necromante; em jogo, está o equilíbrio que separa o mundo dos mortos do mundo dos vivos.

‘Spectros’/ Divulgação

Criado e escrito pelo norte-americano Douglas Petrie, que já esteve envolvido em grandes produções como CSI: Investigação Criminal e Buffy, a Caça-Vampiros, o suspense sobrenatural com toques de comédia juvenil procura remeter-se à história de formação do bairro paulistano, fazendo referências a elementos da cultura japonesa. O resultado, porém, é no mínimo duvidoso; e a presença Petrie na parte criativa da obra talvez seja peça-chave para a compreensão do que Spectros representa.

Com objetivos claramente mercadológicos, a produção deixa totalmente de lado qualquer valor criativo ou afetivo que poderia vir a ter; mostrando-se disposta apenas a usar de todos as fórmulas mais batidas do terror, do suspense e até da comédia para tentar “ser universal” a partir de um contexto local. O problema é que, sem personalidade alguma, Spectros não passa de um enlatado dispensável – tanto para o público brasileiro como para o exterior.

Sequer faz sentido, aliás, um enredo geograficamente tão específico ser conduzido por um criador estrangeiro com olhos para o mercado internacional. Então, sobram cacoetes de gêneros e títulos em inglês e falta essência.

A LIBERDADE COMO CENOGRAFIA

Nem karaokês nem lojinhas de cacarecos anulam o olhar plastificado que Spectros produz sobre a Liberdade. E em meio a uma trama absolutamente genérica (tanto em forma como em conteúdo), adolescentes irritantes e estereotipados também são incapazes de cativar a torcida do espetador. Não tanto por culpa dos atores, mas pela improdutividade de um roteiro que os coloca para gritar o tempo todo e que só faz reciclar situações já vistas milhares de vezes por aí.

Imagem: divulgação

Maçante, a série ainda sofre com uma composição de mitologia frágil e limitada; além de contar com um texto repleto de sentimentalismos, discursos de autoajuda e “militadas” nada convincentes. Assim, racismo e violência policial aparecem jogados no meio da narrativa; camuflados de crítica, mas só porque alguém decidiu que era preciso abordar “assuntos da moda no Brasil”.

O resultado, portanto, não poderia ser outro: o retrato da Liberdade posto em tela pela série não passa de um recorte do senso comum e do óbvio sobre o lugar e as pessoas que por ali circulam. Superficial, Spectros não assusta, não faz rir, não engaja na “aventura” e muito menos dá conta de retratar as nuances de um bairro tradicional e cheio de particularidades.

Ficha técnica:

Criação: Douglas Petrie

País: Brasil

Ano: 2020

Elenco: Claudia Okuno, Mariana Sena, Danilo Mesquita, Enzo Barone, Miwa Yanagizawa,Carlos Takeshi, Daniel Rocha

Gênero: Suspense, Sobrenatural

Distribuição: Netflix

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