Steampunk: um subgênero que merece mais atenção

O steampunk é um subgênero de ficção científica, que ambienta alguns romances literários e obras audiovisuais. “Steam” é uma palavra em inglês que, traduzida para a nossa língua, significa “vapor”. Já punk; referente ao movimento social de contra-cultura da segunda metade do século XX; pode ser associado a outro subgênero: o cyberpunk.

Este último, normalmente, caracteriza histórias ambientadas em realidades distópicas e futuristas, nas quais uma tecnologia extremamente avançada – e, por ora, fictícia – é inerente ao modo de vida de suas populações. Pela lógica, o steampunk é, nada menos do que, uma realidade na qual a tecnologia a vapor impera vigorosamente. Na verdade, somam-se a isso épocas passadas e um progresso científico surreal.

‘A Volta ao Mundo em Oitenta Dias’ (Coleção L&PM Pocket) / Divulgação
ORIGEM

Ou seja, dentro do subgênero em questão, os personagens vivem em séculos passados da Idade Contemporânea – principalmente na era vitoriana –, mas em espaços onde os paradigmas tecnológicos dos últimos quarenta ou cinquenta anos ocorreram previamente na História (fictícia). O primeiro autor, de que se tem notícia, a ter escrito obras de steampunk é o célebre Júlio Verne (com Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra e A Volta ao Mundo em Oitenta Dias). Mas, pudemos identificar estes romances como pertencentes ao subgênero somente recentemente.

Um outro livro que, este sim, é considerado o primeiro divulgador do steampunk é A Máquina Diferencial, de William Gibson e Bruce Sterling, publicado em 1990. Nas últimas três décadas, com a produção de audiovisuais intensificada significativamente, o subgênero apareceu com maior frequência nos cinemas.

Você já deve ter visto, pelo menos, um filme dentro do estilo steampunk; com máquinas feitas com materiais rudimentares, mas com alta capacidade tecnológica; personagens com vestimentas do século XIX, e com acessórios atuais, como tênis ou costuras que lembram nossas roupas contemporâneas; transportes historicamente descontextualizados; e demais referências a épocas futuras, “embaralhadas” na linha do tempo.

‘A Invenção de Hugo Cabret’ / Divulgação
HUGO E DESVENTURAS

Um ótimo exemplo de longa-metragem steampunk é A Invenção de Hugo Cabret (2011), de Martin Scorsese e inspirado no livro de Brian Selznick. No universo da história, que se passa no início do século XX, a tecnologia é mais avançada do que foi na realidade. Hugo (Asa Butterfield) é um menino cuja maior motivação na vida é desvendar os mistérios deixados por seu pai em um autômato – uma máquina com aparência humana. Além de a trama principal envolver temas tecnológicos, o visual do filme é muito característico de uma produção steampunk; com cenários que lembram mundos futuristas.

Outra história pertencente ao subgênero é, na verdade, uma série de livros, que depois ganhou um longa-metragem e uma série de televisão. Desventuras em Série, de Lemony Snicket, é dividida em treze romances e narra os infortúnios de três irmãos ricos, após a morte dos pais em um misterioso incêndio. Em 2004, os três primeiros livros foram adaptados para o cinema e, no ano passado, a Netflix lançou a primeira temporada de uma série de televisão, inspirada nas quatro primeiras histórias. Atualmente, o programa já está em sua segunda temporada – que mostra os acontecimentos do quinto ao nono livro.

Mesmo não deixando clara a época em que se passa, Desventuras em Série (em todas as mídias) é integrado a um tempo que lembra, visualmente, o início do século passado. E, ainda que as desventuras dos irmãos Baudelaire não tenham como assunto principal os avanços tecnológicos, o pano de fundo da história é totalmente steampunk. Com elementos avançados demais para a época em que vivem os personagens, o humor ácido e gótico de Desventuras contribui para a aceitação do espectador diante de acontecimentos absurdos.

‘Desventuras em Série’ (Netflix) / Divulgação
DEFASAGEM

Infelizmente, essas duas produções citadas fazem parte do super restrito grupo de steampunks de qualidade. Há filmes como João e Maria: Caçadores de Bruxas (2013), Os Três Mosqueteiros (2011) e Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (2011), cujas críticas de especialistas foram bastante negativas, tais como a avaliação do público.

A pouco exploração do subgênero, no entanto, não afeta o fato de ele ser interessantíssimo. Em uma cultura em que a ficção científica e o cyberpunk são muito valorizados pelo senso comum, o steampunk teria espaço para crescer com popularidade. Talvez, este último tenha ficado um tanto defasado, dentro do próprio gênero. Ou, quem sabe, Hollywood e os grandes estúdios tenham explorado a vertente muito pouco – impossibilitando as pessoas de conhecerem o subgênero e de se interessarem efetivamente por ele.

De qualquer forma, se você ainda não assistiu a nenhuma produção do audiovisual, ou não leu nenhum livro de steampunk, experimente dar uma chance. Você pode se surpreender com a riqueza de detalhes e a criatividade de suas histórias fantásticas.

‘João e Maria: Caçadores de Bruxas’ / Divulgação

 

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