Stranger Things 3 e o futuro da série de sucesso

Atenção: Este texto contém spoilers!

O grupo de amigos dos anos 1980 está de volta em mais uma aventura sombria e paranormal. Um dos maiores sucessos da Netflix, Stranger Things 3 estreou na última quinta-feira (04) no streaming. Na terceira temporada, Mike (Finn Wolfhard), Eleven (Millie Bobby Brown), Dustin (Gaten Matarazzo), Will (Noah Schnapp), Lucas (Caleb McLaughlin) e Max (Sadie Sink) têm de lutar contra uma nova ameaça do Mundo Invertido – um monstro que hospeda-se nos restos mortais de suas vítimas.

Repetindo a fórmula de sucesso, os personagens novamente separam-se em núcleos distintos; os quais desvendam, cada um, uma parte diferente do mistério central da trama. Assim, ao final da série, todos unem as suas descobertas, em um desfecho digno dos superpoderes de Eleven.

Nesta imagem de Stranger Things 3, Will, Mike, Eleven, Max e Lucas olhem em direção à câmera, com expressões de seriedade. Todos usam roupas coloridas, típicas dos anos 1980.
Will (Schnapp), Mike (Wolfhard), Eleven (Brown), Max (Sink) e Lucas (McLaughlin)/ Divulgação

Além disso, figuras improváveis criam laços de amizade (aparentemente) duradouros – como o de Dustin e Erica (Priah Ferguson); alguns tristes sacrifícios decorrem de investigações arriscadas; um grupo de cientistas e outro de militares envolvem-se na abertura de um novo portal ao Mundo Invertido; e o enredo eclode durante a celebração de um feriado norte-americano – desta vez, no dia de Independência dos EUA. Bem similar às temporadas anteriores, não?

De qualquer forma, por mais que essa comparação indique supostos problemas de criatividade no roteiro de Stranger Things, é o contrário disso. O carisma de exatamente todos os personagens, tal como a química de suas relações, é o que conquista o espectador da série. Isso, somado à ótima caracterização de anos 1980 mais fluorescentes do que o habitual, auxilia em uma ambientação agradável e nostálgica; com a inovação de um típico shopping center da época, o Starcourt, ou o primeiro da fictícia cidade de Hawkins (Indiana, EUA).

Rumo ao futuro

E, por falar em inovações, esta temporada encerra-se de modo propício ao amadurecimento do elenco e da dinâmica da trama. Logo, o futuro da original Netflix distancia-se cada vez mais de padrões narrativos comuns a ela própria; e aproxima-se de dilemas quase adultos.

Para deixar isso claro, aliás, uma das primeiras cenas da terceira temporada refere-se ao fim da infância de seus protagonistas. Eleven e Mike são, agora, um casal que gosta de passar seu tempo livre trocando beijos. Max e Lucas são, juntamente a Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan (Charlie Heaton), o outro casal de jovens adoráveis.

Nesta imagem de Stranger Things 3, Robin, Steve e Dustin olham em direção à câmera, com expressões de sarcasmo. Robin e Steve usam o uniforme de seu trabalho, enquanto Dustin usa um boné amarelo, uma camiseta laranja e um colete azul.
Robin (Maya Hawke), Steve (Joe Keery) e Dustin (Gaten Matarazzo)/ Divulgação

Até mesmo Dustin, o aparente “patinho feio” da turma, tem um dos relacionamentos mais hilários e maduros que poderia-se imaginar: à distância, apaixonado e disposto a concessões. Exceto Will – a quem os namoros de seus amigos não passam de um desvirtuamento da real diversão, que seria jogar RPG de mesa (Role Playing Game) –, este apresenta dificuldade para lidar com o próprio crescimento.

Enquanto isso, entre as idas e vindas de um relacionamento adolescente, Eleven e Max aproveitam para fortificar a empoderadora amizade. Já Nancy tem de enfrentar o chefe e os colegas absurdamente machistas de seu primeiro estágio, no jornal local; e, na onda feminista que a série propõe, Robin (Maya Hawke), a colega de trabalho de Steve (Joe Keery), decifra um código ultrassecreto em russo. Desse modo, as personagens femininas de Stranger Things 3 parecem sempre mais dispostas a lutar por seus espaços.

Mudanças definitivas

Joyce, por exemplo, é uma mulher que mantém-se firme desde o sumiço do filho Will, na primeira temporada. Depois da morte violenta do namorado Bob (Sean Astin), na segunda, a personagem decide seguir com sua vida. Agora, no final da terceira, Joyce já não mais é capaz de permanecer na rotina de antes; então, ao resolver partir com a família para um novo lugar, o roteiro confirma que as coisas na série mudarão definitivamente.

A união de arcos narrativos, parecidos aos de temporadas passadas, ao amadurecimento dos personagens mais jovens indica essa mudança tonal. Quanto à trama central de Stranger Things 3, cujos vilões são os soviéticos do período de Guerra Fria, esta terá mesmo de reinventar-se se quiser insistir no Mundo Invertido. Assim, explorar as várias possibilidades daquele lugar, literalmente do tamanho do mundo real, jamais será um problema à produção.

No final das contas, resta saber o que será da relação entre os amigos protagonistas, e se o policial Hopper (David Harbour), o pai adotivo de Eleven, retornará à série. Por conseguinte, Stranger Things mostra o seu potencial de desenvolvimento gradual quanto à conquista de um público mais adulto; ao passo em que cresce junto com os protagonistas.

Nesta imagem de Stranger Things 3, Hopper e Joyce olham em direção à câmera, com expressões de incredulidade. Joyce segura papéis nas mãos. Hopper usa uma camisa florida, verde e rosa.
Hopper (David Harbour) e Joyce (Winona Ryder)/ Divulgação

Ficha técnica

Criação: Matt Duffer, Ross Duffer

País: EUA

Ano: 2019

Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown

Gênero: Aventura, Terror, Ficção científica

Distribuição: Netflix


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