Crítica: Um Mágico Nada Incrível (Netflix)

Tudo sempre dá errado para o mágico Juan Morales, conhecido como Juanquini (Antonio Sanint). Conformado com sua aparente falta de talento, mas persistente no ofício de animador de festas infantis por amor à magia e por ser o negócio que sustenta sua família, o protagonista de Um Mágico Nada Incrível (Chichipatos, no original), nova produção colombiana original Netflix, não consegue mais entreter crianças. Seus números são tolos, e raramente funcionam.

‘Um Mágico Nada Incrível’/ Divulgação

A monotonia da rotina de apresentações medíocres é interrompida, porém, quando Margot (María Cecilia Sánchez), esposa e empresária de Juanquini, fecha uma apresentação inusitada para o mágico. Sem saber, ela acaba enviando toda a família para a festa de um dos narcotraficantes mais procurados pela polícia. 

Ali, obrigado a impressionar uma platéia de mafiosos armados, Juanquini consegue fazer desaparecer o tal narcotraficante no meio do show. O problema é que ele não sabe como trazer o homem de volta, e a polícia passa a considerá-lo cúmplice da fuga do sujeito.

O BURLESCO

Na Colômbia, “chichipato” se refere a algo de qualidade duvidosa ou a alguém que se limitou na vida. O termo resume bem a essência da comédia caricatural criada por Dago García, cuja trama é conduzida principalmente pela ligação direta do termo com a personalidade do protagonista.

Imagem: divulgação

Assim, temos no centro narrativo as desventuras de uma família completamente burlesca, formada por um mágico que não conseguiu desenvolver suas habilidades; uma mãe esteticamente extravagante, mas completamente racional; uma filha (Mariana Gómez) disposta a “encarar o capitalismo selvagem” de qualquer forma para tornar-se rica; e um filho (Julián Cerati) que vive aéreo em seu mundinho, apaixonado pela professora da escola e crente de que suas músicas estapafúrdias são complexas criações artísticas.  De pano de fundo, o jogo de gato e rato entre policiais locais que se recusam a receber ordens de mulheres e narcotraficantes abobalhados.

Há algo de programa televisivo dominical  na estrutura de Um Mágico Nada Incrível – na abertura, no jeito da montagem. Em alguns momentos, a produção beira o grotesco da combinação entre apelo estético e ridículo das situações. Em outros, se destaca uma certa ingenuidade, muito relacionada à vulnerabilidade de Juan Morales; um pai de família honesto, generoso e afetuoso, que por ser bonzinho demais sempre se torna motivo de chacota.

Tal ingenuidade acaba estendida para os outros núcleos da  trama. Ao tratar de tráfico, polícia, machismo e até de imperialismo “com leveza”, por exemplo, a produção vai traçando seu próprio registro de sociedade colombiana  por meio de uma zombaria circense não muito elaborada. 

Logo, pode-se dizer que Um Mágico Nada Incrível é nada mais que uma série sobre a jornada de alguém retirado à força de sua zona de conforto e obrigado a acreditar em si mesmo – uma jornada ainda bastante incompleta ao fim da primeira temporada. 

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Ficha Técnica:

Criação: Dago García

País: Colômbia

Ano: 2020

Elenco: Antonio Sanint, María Cecilia Sánchez, Biassini Segura, Mariana Gómez, Julián Cerati

Gênero: Comédia

Distribuição: Netflix

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