5 coisas feministas de Meninas Malvadas que você pode nunca ter reparado

Em 2004, o clássico filme “de Sessão da Tarde” adolescente, Meninas Malvadas, estreava nos cinemas. Dirigido por Mark Waters (Sexta-Feira Muito Louca) e roteirizado por Tina Fey (Unbreakable Kimmy Schmidt), a comédia ácida retrata o poder dos estereótipos de gênero sobre as garotas.

Aparentemente só mais um filme de Ensino Médio americano, Meninas Malvadas tem como premissa os hábitos adolescentes – principalmente femininos – e como isso pode afetar a convivência de todas elas de maneira negativa. Cady Heron (Lindsay Lohan) é uma jovem recém-chegada de algum país africano (não mencionado no filme), que faz amizade rapidamente com uma dupla de artistas deslocados.

Pouco tempo depois, Cady se vê envolvida em um plano para destruir a reputação de um grupo de meninas populares: as chamadas Poderosas, liderado pela “abelha-rainha” Regina George (Rachel McAdams). Pensando no roteiro reflexivo e empoderado de Tina Fey, listamos 5 coisas feministas do longa-metragem que você pode nunca ter reparado.

 

1. A coroa de plástico

Logo após ganhar o título de Rainha do Baile na festa anual da escola, Cady, já em um estado de epifania quanto às suas ações dos últimos meses, profere um discurso sobre a importância da valorização de todas as meninas. Ao receber uma coroa falsa, que simboliza sua eleição pelos demais colegas, a protagonista se refere ao acessório como “só plástico”.

No áudio original, As Poderosas são chamadas de The Plastics (“As Plásticas”, em tradução literal). Quando Cady quebra a coroa, depois de reduzi-la somente a plástico, percebemos o duplo sentido da frase. É como se a garota quisesse dizer que o conceito de “As Plásticas” não passa de ilusão – e que seu caráter é extremamente frágil.

“Isso é só um pedaço de plástico. É apenas…” (imagem: reprodução Netflix)

 

2. A rival de Cady na competição de matemática

Durante o momento decisivo da competição dos Matletas com outro colégio, as últimas participantes escolhidas de cada time para se enfrentarem são mulheres (a própria Cady e uma menina claramente insegura). A rival, como a narração em off de Cady descreve, é uma jovem de sobrancelhas grossas, mal vestida e com batom barato nos dentes.

O que não é explicitado, no entanto, é o fato de a protagonista ter de se esforçar muito para enxergar a outra garota apenas como uma competidora. Por seus pensamentos, Cady poderia enfrentá-la através de um jogo baixo; insultando-na ou algo similar – com o intuito de deixar a rival ainda mais desconfortável, no caso. Mesmo que a ideia tenha lhe passado pela cabeça, Cady recusa esse pensamento e, após sair vitoriosa, cumprimenta a outra garota apenas com um aperto de mãos (o que representa respeito e espírito competitivo de ambas as partes).

Imagem: reprodução Netflix

 

3. A autodepreciação de Regina no Livro do Arraso

Quando Regina George descobre o plano de Cady para engordá-la, a Poderosa-líder resolve se vingar usando o próprio diário do grupo de meninas; um caderno que fala mal de todas as mulheres da escola, denominado Livro do Arraso. Naturalmente, o diário não continha o nome de nenhuma daquelas que escreviam boatos terríveis em suas páginas. Como forma de desabafar agressivamente, as Poderosas usavam o caderno sem propósito válido.

Dessa forma, Regina escreve sobre si mesma de maneira pejorativa, simulando a própria vitimização. Em seguida, a vilã entrega o livro para o diretor da escola e diz apenas o ter achado. Algo interessante de se observar, além da atitude de Regina, é a descrição que ela faz de si. Mesmo que tenha escrito com um intuito calculista, a personagem põe no papel exatamente aquilo que mais teme em se transformar: “uma vadia gorda”.

As Poderosas são claramente gordofóbicas: consideram o adjetivo “gorda” um xingamento e, portanto, veem meninas gordas como inferiores – além de evitarem ganhar peso. Regina passa bastante tempo obcecada em perder “um quilo e meio”, mesmo com um corpo saudável e livre de restrições sociais. Sendo assim, seu maior medo social é exposto de maneira sutil: ser vista como gorda pelos colegas.

Imagem: reprodução Netflix

 

4. A mãe de Cady

Depois de o escândalo do Livro do Arraso se tornar assunto em toda a instituição, os pais dos estudantes não deixam de tomar conhecimento do que se passa na escola. Logo, a mãe de Cady (Ana Gasteyer), mal-acostumada com o novo comportamento da filha, demonstra profunda decepção.

A reação dessa personagem é um sinal da visão de Tina Fey sobre todo o assunto; o de que, por ser mulher, a mãe saiu muito mais afetada com o Livro do Arraso do que o pai da protagonista, por exemplo. Isso fica tão claro depois que tomamos consciência, que a diferença entre o comportamento do pai e da mãe é justificada pela simples oposição de gêneros. Enquanto a mãe de Cady parece revoltada, seu pai esboça somente uma leve tristeza.

“Quem é você?” (imagem: reprodução Netflix)

 

5. A alimentação da Srta. Norbury

Como a Srta. Norbury (interpretada pela própria Fey) comenta algumas vezes ao longo do filme, ela é recém-divorciada. Desanimada ao relembrar seu estado civil, podemos associar o fato de aparecer quase sempre com caixas cheias de doces com uma possível depressão.

Enquanto conversa com Cady sobre sua rotina, a Srta. Norbury está petiscando um doce de chocolate, por exemplo. Na primeira cena, quando ela e a protagonista se esbarram acidentalmente, a professora carrega uma caixa cheia deles, para citar mais um caso. Somando isso a seu aparente desânimo e a fatos recentes de sua vida, é possível que avaliemos aquilo que aflige uma mulher de sua idade: graças às imposições sociais, não ter construído a própria família é sinal de derrota pessoal.

“Eu me incentivo em três empregos. E agora vou incentivar você.” (imagem: reprodução Netflix)

 

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