Alce e Alice: uma websérie sobre como (não) fazer webséries

O que aconteceria se três jovens sem perspectiva de vida decidissem unir forças para produzir uma websérie sobre um conturbado triângulo amoroso entre homem, mulher e alce? Essa é a premissa da falsa série documental Alce e Alice.

A websérie brasileira, produzida no sul do país e lançada no fim de 2017 , se vale da metalinguagem para discutir, com bom humor, como é produzir audiovisual independente e como jovens “millennials” lidam com o começo da carreira e da vida adulta.

A produção, criada pelos gaúchos Diego Barrios e Tiago Rezende, acompanha William (Thiago Prade), Alice (Kaya Rodrigues) e Stive (Gabriel Paccini) em sua atrapalhada jornada em busca do sucesso pessoal e profissional.

William, Alice e Stive / Divulgação

Tudo começa quando William, jovem mimado pela mãe, decide dirigir uma série (que também leva o nome de Alce e Alice). Para isso, ele contrata Alice, uma jovem estudante de cinema que precisa ganhar dinheiro para sair da casa dos pais extremamente religiosos, e Stive, um ator que não deu certo e passa a vida entre drogas e noitadas.

Logo de inicio, William (que interpreta o Alce em seu próprio programa) demonstra não ter a menor ideia de como realizar uma websérie.  Mas, mesmo assim, Alice e Stive parecem não ter muito a perder com a empreitada e aceitam o desafio. A partir deste ponto, os três se veem em meio a confusões dignas de seus personagens nascidos de um roteiro absurdo e feito de improviso por alguém com nenhuma experiência.

Ao mesmo tempo em que existe um falso documentário onde a dupla gaúcha parece “entrevistar”  o trio de personagens para saber como foi a trajetória de Alce e Alice e como suas vidas mudaram a partir deste fiasco de projeto, existe a série “de mentira” – a de William. Ou seja, há uma série dentro da outra.

A forma como Barrios e Rezende conseguem conduzir uma produção curta – de 4 episódios de 25 minutos cada – com um roteiro tão ágil, divertido, elaborado e inteligente, é realmente impressionante. Os criadores usufruem da metalinguagem não apenas para fazer uma série dentro da outra. Através desse artificio eles também conseguem levantar questões muito relevantes, como: quais são os desafios de fazer uma série independente? Como viralizar (ou não) na internet? Como emissoras de TV aberta selecionam sua programação? Como se dá o jogo de interesses?

Alce e Alice / Divulgação

Cada elemento de Alce e Alice é tão bem elaborado que chega a ser difícil apontar defeitos. Sendo assim, podemos apontar qualidades que se destacam. A primeira delas, sem dúvidas, é o retrato debochado feito sobre as pessoas que trabalham nos canais da televisão aberta brasileira. Sabemos bem que a audiência costuma ser o norte das emissoras, mas o tom irônico que a série emprega para tratar dessa questão é impecável.

Outra ideia muito bem explorada foi a mistura de gêneros e as homenagens a séries famosas. Em um dos episódios, por exemplo, a trama se desenvolve mais como um drama policial. Por isso, a abertura se parece com a de CSI – e aquela clássica musiquinha serve de trilha em diversos momentos, apelando para a nostalgia dos fãs de uma das séries policiais mais assistidas no Brasil. Isso tudo sem falar na parte técnica, que não deixa a desejar a nenhuma série “grande”.

Nem só de Netflix e produções Globais vive o audiovisual brasileiro. Alce e Alice está aí para provar que tanto nosso cinema quanto nossas webséries independentes merecem atenção do público e têm muito a oferecer em criatividade e qualidade.

 

Assista ao primeiro episódio: 

(Fonte: Alce&Alice / Youtube)

 

Ficha técnica

Criação:Diego Barrios e Tiago Rezende

Ano: 2017

Elenco: Thiago Prade, Kaya Rodrigues, Gabriel Faccini

Distribuição: Net Now e Vimeo on Demand

País: Brasil

Gênero: Comédia

 

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