[Crítica] Borges: o Porta dos Fundos chegou ao catálogo da Netflix

Depois de conquistar a internet alcançando mais de 14 milhões de inscritos no YouTube e de se aventurar pela TV e pelo cinema, o canal brasileiro de humor Porta dos Fundos chega à Netflix com sua série Borges.

Originalmente, Borges foi financiada e transmitida pelo canal pago Comedy Central, chegando agora ao catálogo de um serviço de streaming com toda a sua primeira temporada disponível para maratonas.

Dirigida por Ian SBF, a série acompanha as presepadas de quatro funcionários de uma importadora. Quando o chefe, Borges (Luís Lobianco), desaparece fugindo da polícia federal, Erasmo (Antonio Tabet), Pablo (Rafael Portugal), Rosana (Thati Lopes) e Sônia (Karina Ramil) herdam uma empresa afundada em dívidas e problemas.

Imagem: divulgação

Buscando formas de quitar as pendências deixadas pelo fugitivo, os personagens decidem tentar ganhar dinheiro fazendo videos polêmicos e absurdos para a internet. Sem nenhuma experiência e tendo apenas uma câmera, a empreitada logo vira uma confusão.

A produção carrega muito da essência das esquetes do Porta dos Fundos, principalmente em relação ao humor ácido, crítico e a velocidade de diálogos e acontecimentos. No entanto, para completar os aproximados 25 minutos de cada um dos 10 episódios, ela também brinca com a comédia de situação, e é aí que a coisa se torna arrastada e desequilibrada.

Ironizar é uma habilidade indiscutível do “Porta” e aqui eles optam por criticar a espetacularização proporcionada pelas facilidades de plataformas como o YouTube. Afinal, com uma câmera e alguma ideia (boa ou péssima) é possível que qualquer pessoa ganhe visualizações e dinheiro, basta viralizar.

Mesmo assim, a premissa relevante, promissora e quase que metalinguística não é suficiente para abafar o grande problema da série: seu desenvolvimento que se arrasta entre gritaria e bagunça de um roteiro repetitivo e confuso. Em cada um dos episódios um novo vídeo dos funcionários falidos é gravado e novos conflitos se instalam. Na maioria dos casos, conflitos irrelevantes para a trama central.

Imagem: divulgação

Em alguns momentos, por exemplo, a série chega a parecer uma colcha de retalhos de ideias de esquetes que não foram utilizadas antes, deixando de lado qualquer possibilidade de unidade – aspecto fundamental para uma obra seriada.

Claro que existem ganchos entre um episódio e outro, mas nada que seja sólido o bastante para envolver o espectador em uma maratona. É bem possível que os episódios sejam mais bem aproveitados se vistos com espaçamento de tempo, já que em sequência eles parecem desordenados e heterogêneos.

Outro fator que colabora para o estranhamento é a mistura discrepante de comédia de situação cheia de berros, palavrões e coisas dando errado, com críticas sociais mais fundamentadas. Dessa forma, num mesmo episódio é possível assistir a boas sacadas e cenas meramente espalhafatosas – como no piloto, Viral, onde um monte de gente começa a surgir na importadora trazendo um caos insistente.

Apesar de contar com bons momentos, essa alternância entre estilos de humor, somada a estrutura de episódios que sempre começam sob o pretexto de um novo vídeo que causa algum tipo de confusão – deixando o que seria a trama principal como pano de fundo-, torna a produção fragilizada.

Por tudo isso, é bem provável que a série seja mais bem recebida por pessoas que já estejam familiarizadas com o trabalho do grupo, já que como obra individual, Borges não é nada memorável.

Assista ao trailer de Borges

(Fonte: Porta dos Fundos / Youtube)

 

Ficha técnica

Direção: Ian SBF

Ano: 2018

Elenco: Antonio Tabet, Rafael Portugal,  Thati Lopes e Karina Ramil

Distribuição: Comedy Central, Netflix

País: Brasil

Gênero: Comédia

 

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