Klaus, a animação original Netflix que já nasceu clássico de natal

Indicado a Melhor Animação no Oscar 2020, Klaus, original Netflix  escrito e dirigido pelo espanhol Sergio Pablos (Meu Malvado Favorito), se destaca entre os tantos filmes genéricos de natal ofertados pela plataforma de streaming. Realizado em um 2D nostálgico e charmoso, o filme chama atenção principalmente por estabelecer a origem das tradições natalinas a partir de uma história singular.

Jesper (Jason Schwartzman)/ Divulgação

Nela, Jesper (Jason Schwartzman) é um típico boa vida. Filho de um homem rico, dono de uma companhia postal, ele não faz o mínimo de esforço para se dar bem em algum emprego. Então, exausto da folga e do egoísmo do rapaz, o pai o envia à longínqua Smeerensburg, localizada no Círculo Ártico.

Uma vez ali, Jesper deve cumprir a missão de revitalizar o correio local, batendo uma meta de correspondências postadas. Só assim ele poderá retornar à vida sossegada que conhecia e tanto apreciava.

Ao chegar ao seu destino, porém, o personagem se depara com uma vila tomada pela barbárie. Onde dois clãs rivais, os Krums e os Ellingsboes, vivem em pé de guerra; onde despreza-se a cultura, a educação e, para o infortúnio do protagonista, as cartas. Um lugar  onde a violência e o caos são linguagens universais.

É por acaso que Jesper conhece a professora Alva (Rashida Jones) e o solitário carpinteiro Klaus (J.K. Simmons), aqueles que, de certa forma, o ajudarão a realizar seus objetivos. Juntos, e não isentos de erros, os três personagens mudarão as dinâmicas sociais da remota cidadezinha.

O TAL DO ESPÍRITO NATALINO

Pablos não trabalha com conceitos de cooperação e bondade num plano abstrato. Pelo contrário, a jornada de mudança de valores do povo de Smeerensburg, e do próprio protagonista, se dão na prática. Num primeiro momento, motivadas pelo que se pode ganhar em troca. Depois, por uma construção coletiva, lenta e trabalhosa, que leva a outro estilo de vida.

‘Klaus’/ Divulgação

Claro que a “evolução moral” dos personagens é previsível em uma animação infantil; entretanto, a forma como ela é conduzida em Klaus é que a torna especial. Aqui, a mágica de natal dá lugar a ações e comportamentos humanos transformadores; enquanto os  símbolos natalinos (renas, duendes, papai noel,etc.), sempre reproduzidos de forma tão esvaziada de sentido, são desmistificados e tratados como “acidentes triviais de percurso” em uma trama que tem muito mais a dizer.

Não à toa, os grandes parceiros de Jesper são uma professora e um carpinteiro que confecciona brinquedos. A mudança proposta pelo filme começa pela infância. E também não à toa, então, os vilões da trama são os conservadores; aqueles avessos a qualquer tipo de ponderação sobre outras formas de presente e de futuro.

Desse modo, o arco de desenvolvimento de Jesper, tão convencional, acaba servindo de pretexto para uma história onde o frio e a barbárie são transformados pelo poder do fortalecimento das relações humanas na materialidade – e nos detalhes – do cotidiano da cidadezinha. 

Empolgante, emocionante e ideal para crianças e adultos, Klaus demonstra potência sobretudo pelo esmero com a mensagem. E é por isso que ele sustenta a consistência necessária para já ser considerado como um ótimo clássico de natal.

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Trailer:

(Fonte: Netflix Brasil/ YouTube)

Ficha Técnica:

Direção: Sergio Pablos

Duração: 1h36

País: Espanha, EUA

Ano: 2019

Elenco: Jason Schwartzman, Rashida Jones, J.K. Simmons

Gênero: Animação, Comédia, Aventura

Distribuição: Netflix

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