O retorno de Arquivo X

Em 2016, Arquivo X retornou para uma décima temporada depois de 14 anos desde o término da nona, em 2002. Cheios de altos e baixos, os novos episódios fizeram parte de uma fraca temporada, que se sustentou na nostalgia dos fãs ávidos por verem Scully (Gillian Anderson) e Mulder (David Duchovny) em ação novamente. Muitas das questões que ficaram em aberto anos atrás não foram respondidas com a temporada de número 10, e podemos dizer que ainda “mais lenha foi jogada nessa fogueira”. Personagens novos e dispensáveis foram inseridos na trama, enquanto que personagens antigos retornaram à série – uns mal tratados pelo roteiro, como foi o caso de Monica Reyes, e outros aparentemente imortais. Sim, o Canceroso (William B. Davis), aquele que explode e não morre.

Ao que tudo indica, a 11ª temporada, que estreou na última quarta (10) no Brasil, pelo canal FOX, pode ser a última da série. A atriz Gillian Anderson já declarou que não tem interesse em retornar para uma próxima temporada, e o produtor, Chris Carter, afirmou que não existiria Arquivo X sem Dana Scully. Sendo assim, ficaria a cargo da temporada estreante resolver todas as pontas soltas que restaram.

Imagem: divulgação

O QUE ESPERAR DA NOVA TEMPORADA DE ARQUIVO X?

Apesar do trailer empolgante, alguns mistérios já se arrastam por anos e, com certeza, os fãs esperam que eles sejam solucionados. Dentre esses mistérios: o que aconteceu com William? Quem é seu pai? E a conspiração? Mulder foi mesmo enganado?

O desfecho para os agentes Miller (Robbie Amell) e Einstein (Lauren Ambrose) também é uma incógnita, já que os personagens falharam como possíveis substitutos de Mulder e Scully por não terem, nem de longe, a mesma dinâmica ou carisma da dupla consagrada.

Além disso, o que será de Skinner, que já provou sua lealdade várias vezes, mas, de acordo com o trailer, segue sendo posto em dúvida? E o Canceroso? Ele finalmente morre, ou será que consegue executar seu plano de exterminação mundial?

 

ATENÇÃO: a partir deste ponto, o texto contém spoilers sobre o primeiro episódio da 11ª temporada.

 

PRIMEIRO EPISÓDIO 

Chris Carter parece ter entendido que a décima temporada não agradou muito o público e iniciou esta temporada com um episódio em que praticamente tudo o que aconteceu na anterior é negado. Sendo assim, os eventos passados são, agora, tratados como uma possibilidade de futuro, prevista nas visões de Scully – e conectada a seu filho William, que finalmente deve ter alguma função importante na trama.

Ou seja, na temporada 10 acompanhamos coisas que ainda não aconteceram, mas que podem acontecer, dependendo das ações de Mulder. Impossível dizer se Carter teria mesmo planejado esse rumo para a série, mas a impressão que fica é a de que ele quis se desfazer de escolhas anteriores para tentar “reiniciar o revival”.

Para isso, o produtor/diretor optou por colocar Mulder entre duas conspirações. E, apesar da manobra aparentemente forçada para se livrar do cliffhanger (artifício de roteiro que expõe um personagem a uma situação limite) anterior, a decisão pode dar o gás necessário à série – desde que as motivações para destruir a humanidade sejam mais exploradas. Além disso, excluir os agentes Miller e Einstein como “co-protagonistas”, pelo menos por enquanto, deixa clara a tentativa de por o foco em Mulder e Scully.

Mulder e Scully / Divulgação

Mas, Arquivo X não retorna apenas para tentar consertar furos passados. Carter não abre mão do Canceroso e insiste em fazê-lo ser o centro do conflito, ligando-o ao protagonismo de Scully e lhe presenteando com um espaço desnecessário. Insistência, essa, que chega a ser muito cansativa, fazendo com que a trama decorra de mãos atadas.

Na tentativa de gerar um novo grande arco dramático, uma reviravolta foi inserida na série: William não seria filho de Mulder, mas irmão dele e de Spender (Chris Owens). O “homem fumante” afirmou, durante seus monólogos, que William é seu filho. Isso teria acontecido quando, no episódio 15 da sétima temporada, Scully foi forçada a viajar com ele e, então, dopada, foi inseminada a partir de tecnologia extraterrestre.

Não sabemos se a paternidade controversa de William será bancada até o final, mas essa revelação – motivo de revolta para muita gente – traz certo peso à trama. Se positivo ou negativo, dependerá também da sequência dos episódios. Aparentemente, esta temporada será inegavelmente mais inclinada ao drama e à mitologia. O que é necessário, caso estejamos mesmo próximos do fim de Arquivo X.

Para os fãs, nada como ver Mulder uma vez mais obstinado em busca pela verdade, e Scully determinada em encontrar seu filho – uma das grandes pontas soltas da série. No entanto, a forma como os personagens vêm sendo tratados não melhorou muito. Gillian Anderson parece fazer um esforço monumental para manter Scully como a mulher incrível que conhecemos, em meio a um roteiro que a faz desmaiar e ficar acamada com frequência. Skinner (Mitch Pileggi) aparece novamente sendo compelido a trair Mulder, e Monica é posta em uma situação controversa aos seus valores – mas, com alguma chance de desdobramento, o que seria um cenário um pouco diferente de sua participação lastimável em 2016.

De qualquer maneira, o programa consegue fazer jus à sua essência e, com um pouco mais de ação e energia, é empolgante e nostálgico. A volta de Spender faz parte desse sentimento de nostalgia. Já, o irmão de Mulder, que se redimiu da vilania no final da nona temporada ao depor contra a conspiração entranhada no FBI, retorna como o indivíduo que ajudou Scully a esconder seu filho da conspiração. Depois da morte inaceitável dos Pistoleiros Solitários, Dana aparentemente não tinha a quem recorrer, e daí surge um arco narrativo curioso para Spender.

Ao que tudo indica, Arquivo X segue mesmo a caminho de resoluções. Indo de encontro a um tom mais pesado e dramático – que dificilmente daria espaço àqueles episódios engraçados que apareciam vez ou outra –  nos deparamos com Mulder e Scully já cansados, em busca de respostas e soluções definitivas (assim como o público). Esperemos para saber se a verdade está lá fora, ou melhor, no final do último episódio.

 

Ficha técnica

Criação: Chris Carter

País: EUA

Ano: 2018

Elenco: Gillian Anderson, David Duchovny, Mitch Pileggi

Gênero: Suspense, Policial, Ficção científica

Distribuição: FOX

 

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