Os Mortos-Vivos, um curta-metragem de suspense sobre o “sumiço dos contatinhos”

Anita Rocha da Silveira forma parte, ao lado de Juliana Rojas e Gabriela Amaral Almeida, do trio de diretoras mulheres que vêm se destacando no cinema nacional de gênero. Em 2016, a diretora lançava Mate-me Por Favor, longa-metragem de terror bastante premiado. Alguns anos antes, ela já treinava construir metáforas usando elementos de horror e suspense para retratar conflitos adolescentes no curta-metragem Os Mortos-Vivos.

‘Os Mortos-Vivos’/ divulgação

No curta de 2012, a diretora cria algumas situações onde jovens envolvidos em relacionamentos casuais lidam com o “sumiço” da outra parte. Para tratar desses sumiços, hoje chamados também de irresponsabilidade afetiva, Silveira admite o gênero horror e encara os jovens que desaparecem ser dar explicações como mortos-vivos, adolescentes que por algum mistério sobrenatural somem sem deixar rastro e viram uma espécie de lenda urbana – como a história contada logo no início do curta.

Assim como acontece em Mate-me Por Favor, o horror e o suspense presentes em Os Mortos-Vivos são alegorias usadas para dar uma outra abordagem ao assunto – uma abordagem mais rica, inclusive. Ao abrir espaço para o sobrenatural nos relacionamentos adolescentes, a diretora abre espaço também para a possibilidade de explorar todo um universo simbólico. Um universo que inclui até o campo das sensações.

Imagem: divulgação

Na cena em que três garotas conversam dentro de um carro, por exemplo, uma delas diz que sonhou com o vampiro Edward, do filme Crepúsculo. Nesse momento, elas engatam um tipo de comparação entre o comportamento de garotos que conhecem e do vampiro negligente que conquista e desaparece. Ali, naquele breve diálogo, as sensações sobre o que é ser adolescente e gostar de alguém que some são expostas a partir da menção a um filme adolescente muito conhecido. Essas brincadeiras de linguagem e de referências são o ponto alto do curta.

Os Mortos-Vivos é, sem dúvidas, uma ótima maneira de começar a conhecer a obra de Anita Rocha da Silveira. Com seu trabalho autoral, a diretora percorre espaços ainda pouco explorados do cinema nacional, buscando narrativas férteis em linguagem e forma, e revisitando temas realistas que, se tratados a partir do fantástico, acessam outros níveis de complexidade e soam muito mais inéditos, criativos e envolventes.

 

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Ficha técnica

Direção: Anita Rocha da Silveira

Duração: 20 min

Elenco:Clarice Lissovsky, Pedro Tambellini, João Pedro Zappa, Natalia Lebeis, Anita Chaves

País: Brasil

Ano: 2012

Gênero: Suspense

Distribuição: Disponível no site Hysteria.

 

 

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