Crítica: Aceleradas (Netflix)

Criada por Diego Martínez-Ulanosky, conhecido por produzir alguns dos conteúdos da MTV Latinoamérica, Aceleradas (Desenfrenadas, no original), nova série mexicana original da Netflix, estreou no último dia  28.

‘Aceleradas’/ Divulgação

Na trama, Rocío (Bárbara López), Vera (Tessa Ia) e Carlota (Lucía Uribe) são três jovens adultas que decidem deixar a Cidade do México por um final de semana para viajar de carro pelo estado de Oaxaca. Em crise sobre seus lugares no mundo, elas buscam por um respiro para reorganizar as ideias. Rocío é uma neurocirurgiã pressionada pelo pai a ser perfeita;  Vera, mimada e narcisista, não aceita não virar editora-chefe na revista onde trabalha; e Carlota parece insegura sobre sua militância feminista, sobre relacionamentos e sobre a qualidade de sua poesia.

Brancas e economicamente privilegiadas, as garotas têm os próprios dilemas confrontados principalmente a partir do momento em que, no meio da viagem, Marcela (Coty Camacho) cruza repentinamente seus caminhos. De traços indígenas, pele escura e vinda de uma realidade econômica e social completamente marginalizada, a jovem acaba inserida no grupo; como consequência, todas são obrigadas a abandonar suas zonas de conforto.

Jovem e descolada, Aceleradas aproveita as diferenças de personalidade e contexto de suas quatro protagonistas para falar de empoderamento feminino e sororidade.

Além do próprio Ulanosky, Elisa Miller e Julio Hernández Cordón (Compra-me um Revólver) compartem a direção dos episódios – que ao todo são 10; cada um com aproximadamente 40 minutos de duração.

MILLENNIAL E LATINO-AMERICANA

De certa forma, Rocío, Vera, Carlota e Marcela representam o ser mulher num mundo globalizado. São jovens de 20 e poucos anos impactadas pela urbanização, pelo superfluxo de informações e exigências, pelas sociabilidades da tecnologia, pelas discrepâncias sociais e pela típica “inquietação millennial”. Por outro lado, elas estão também vinculadas ao que é ser mulher latino-americana; ao ter de conviver com o status quo misógino da periferia do capitalismo num período de grande influência dos movimentos feministas.

Imagem: divulgação

Assim, Aceleradas explora nuances de uma geração de mulheres já afetada por mudanças de comportamento individuais, mas ainda refém de opressões estruturantes – de raça e classe, inclusive.

Nesse sentido, vale destacar o episódio seis, no qual a sabedoria científica de Rocío é complementada pelo conhecimento tradicional de uma parteira. Na ocasião, México globalizado e México província se encontram através de duas figuras de diferentes gerações e com diferentes experiências. São bonitas cenas de afeto, cuidado e parceria.

Outro atrativo da produção é, sem dúvidas, a presença de López no elenco. Em 2018, a atriz trabalhou na novela Amar a Muerte, da Televisa; um fenômeno de audiência. Sua personagem, Juliana Valdés, era uma das integrantes do casal lésbico “Juliantina”, sucesso estrondoso na internet.

Então, da experiência de Ulanosky com formatos de conteúdo jovem nasce uma série fluida e vívida; antenada com a linguagem do entretenimento e com as demandas de uma geração, mas nem por isso leviana com identitarismos ou alheia às particularidades de seu país.

Ficha técnica:

Criação: Diego Martínez-Ulanosky

País: México

Ano: 2020

Elenco: Bárbara López, Tessa Ia, Lucía Uribe, Coty Camacho, Tomas Ruiz, Sebastián Buitrón

Gênero: Drama, Comédia

Distribuição: Netflix

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