Árvore de Sangue: Úrsula Corberó retorna à Netflix em filme sobre segredos familiares

Úrsula Corberó, mais conhecida no Brasil por ter interpretado a personagem Tóquio na série La Casa de Papel, acaba de retornar ao catálogo da Netflix no longa-metragem espanhol Árvore de Sangue, escrito e dirigido por Julio Medem – e lançado nos cinemas espanhóis em outubro de 2018.

Neste novo trabalho, Corberó  interpreta Rebeca, uma mulher de 25 anos que, junto do namorado Marc (Álvaro Cervantes), viaja para uma antiga casa de campo da família. Uma vez reclusos no lugar há anos abandonado, o casal começa a escrever um livro sobre suas famílias, unidas há muito tempo por laços profundos e inusitados.

‘Árvore de Sangue’ / Divulgação

Compartilhando fragmentos de memórias pessoais um com o outro, Rebeca e Marc reconstituem a complexidade de suas árvores genealógicas até o momento em que elas se encontram. Nesse exercício de catarse, a dupla começa a montar as peças do quebra-cabeça de suas vidas, encontrado elementos que antes faltavam para o entendimento completo de suas origens e revirando um baú cheio de segredos, mentiras, infidelidades, crimes de sangue e toques fantásticos.

Aos poucos, entretanto, a excitação pela descoberta abre espaço para as incertezas de um espetáculo que parece trágico. Se antes a ideia de descobrir como suas famílias se envolveram parecia instigante, agora tais revelações colocam em risco sua história de amor.

Árvore de Sangue é um filme longo. Tal como uma enorme e centenária árvore, ele é cheio de ramificações, raízes e folhas. No começo, é trabalhoso entender quem é quem dentre os vários personagens, como os destinos das famílias de Marc e Rebeca se cruzam, e o que há de tão mirabolante em seus passados.

Úrsula Corberó é Rebeca em ‘Árvore de Sangue’ / Divulgação

A dificuldade acontece principalmente porque o longa é todo contado em flashbacks, de acordo com o resgate de memória dos protagonistas. Assim, a montagem acompanha a confusão mental de quem se esforça para recordar detalhes; uma opção arriscada, que torna a primeira metade do filme maçante, repetitiva, confusa  e até pouco verossimilhante.

Nesse primeiro momento, a preocupação do espectador em se situar no enredo pode ser tão grande, que o envolvimento com a obra se perde em meio às representações exageradas e apressadas da vida dos integrantes de cada uma das duas famílias.

Já na segunda metade, quando criamos algum grau de empatia com os personagens e os protagonistas deixam de estar encerrados em um único cômodo dialogando e escrevendo, a trama se desenvolve mais freneticamente. Claro que isso se deve também aos altos níveis de suspenses melodramáticos, reviravoltas rocambolescas, segredos revelados e simbolismos que nunca parecem de fato fazer parte da narrativa, soando como elementos fantásticos que não foram devidamente explorados.

Imagem: divulgação

Falta a Árvore de Sangue dar o tempo necessário para que as revelações sejam absorvidas, sentidas. Tantas subtramas (brigas de máfias, herois sarados e sedutores, trocas de casais, problemas pessoais) sobrecarregam o enredo e colocam em risco a suspensão da descrença do espectador.  

Quando cada peça do quebra-cabeça começa a fazer sentido tanto para os protagonistas quanto para o público, a imagem que vai se formando é aterradora – e as tais descobertas finalmente dão conta de falar sobre o quão tóxicos segredos familiares podem ser. De qualquer maneira, a chegada desse momento acontece tarde e de forma desajeitada: você já assistiu ao filme todo e até se engajou por curiosidade, mas o impacto não acontece como o esperado e tudo volta a ficar morno à medida em que o longa opta por um encerramento que gratuitamente faz as pazes com o irracional.

Ficha técnica

Direção: Julio Medem

Duração: 2h15

País: Espanha

Ano: 2018

Elenco: Úrsula Corberó, Álvaro Cervantes, Patricia López Arnaiz, Joaquín Furriel

Gênero: Drama

Distribuição: Netflix


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