Purl: curta da Pixar lançado diretamente na internet discute preconceito contra a mulher no ambiente de trabalho

Recentemente, a Pixar divulgou um novo projeto, o Pixar SparkShorts. A partir dele a empresa disponibilizará, gratuitamente,alguns curtas-metragens feitos de forma independente por funcionários do estúdio em seu canal de YouTube. O objetivo é estimular talentos na área da animação, mostrando novos trabalhos ao mundo através da estrutura (e do nome) Disney•Pixar.

O curta-metragem precursor da nova empreitada é Purl – disponível no YouTube desde quatro de fevereiro e já visualizado mais de seis milhões de vezes. Escrito e dirigido por Kristen Lester, o filme de oito minutos de duração trata de preconceito contra as mulheres nos ambientes de trabalho.

‘Purl’/ Divulgação

Purl, a personagem-título, é uma novelo de lã cor-de-rosa que acaba de ser admitida em um novo emprego. Ao chegar ao seu local de trabalho, toda animada e cheia de vontade de adaptar-se a equipe, Purl percebe que o escritório possui apenas homens no quadro de funcionários. Não demora muito para que, por performar códigos de feminilidade, esses homens a julguem como tola, frágil e dispensável. Assim, vista como “mulherzinha demais”, Purl é sufocada pelo ego dos companheiros de empresa – e por violências de gênero que parecem pequenas à primeira vista, mas que juntas tornam penoso o cotidiano da protagonista.

Imagem: divulgação

Excluída, invisibilizada e silenciada pelos homens ao seu redor, a bolota de lã decide que, para sentir-se pertencente ao grupo, precisa mudar seu jeito. Ela então muda sua forma de mostrar-se ao mundo (literalmente), passa a usar calça e paletó e adota uma postura mais masculinizada, agressiva – e tóxica. Quando finalmente é aceita, sob a máxima do “ela é tão legal e inteligente que nem parece ser mulher”, a sororidade de Purl é posta à  prova.

Purl é cativante, engraçado e certeiro. A brincadeira de usar cores e formas variadas para representar a diversidade em contraste com o cinza carrancudo do universo dos homens (que performam masculinidades opressoras e que são muito parecidos entre si, tanto no jeito de se vestir quanto no jeito de agir e se expressar) é dos artifícios mais ricos do filme. Além disso, o curta demonstra a extraordinária potência que o gênero animação possui para acessar e representar camadas mais subjetivas do realismo da vida material.

Leia também: Os 4 filmes da Pixar que trabalham melhor a representatividade feminina

Ficha técnica

Direção: Kristen Lester

Duração: 8 min

País: EUA

Ano: 2019

Gênero: Animação

Distribuição: Pixar SparkShorts/ YouTube


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