Crítica: Retribution

Ambientada na Escócia, a série Retribution, distribuída mundialmente como produção original Netflix, é mais um dos títulos disponibilizados pela plataforma que se vale de algumas características de obras policiais e de suspense para dar tom ao seu enredo.

Em meio às bucólicas paisagens escocesas vivem as famílias Elliot e Douglas, unidas pela proximidade de suas propriedades e pelo recente casamento dos filhos Adam (Jeremy Neumark Jones) e Grace (Kate Bracken) . Mas, quando o jovem casal é brutalmente assassinado, essa união e aparente bem-estar entre os clãs é abalada, colocando em risco vários laços e revelando segredos e traições.

Imagem: divulgação

Retribution desenvolve sua narrativa a partir de dois núcleos. No primeiro, e principal, encontram-se as duas famílias que precisam lidar com a perda dos filhos e do neto que o casal esperava. Já como pano de fundo, desenrola-se uma investigação policial, comandada pela policial Juliet (Laura Fraser), que, a princípio, visa descobrir quem é o assassino e porque Adam e Grace foram mortos.

Em apenas quatro episódios – de aproximadamente uma hora cada -, a minissérie consegue se estabelecer como excelente thriller, sustentado por uma trama bem lapidada.  Repleta de mistérios revelados e reviravoltas consistentes, a produção transita bem entre o drama e o policial, dando espaço também para a participação das paisagens escocesas.  Pela proximidade geográfica com os países nórdicos, a função narrativa da ambientação pode até ser responsável pela similaridade da obra com o que convencionou-se chamar de “noir-nórdico” – um subgênero que vem se consagrando como tendência no universo das séries de TV não-americanas.

Geralmente esse tipo de série se beneficia bastante da ambientação pouco familiar ao grande público.  É uma abordagem que foge completamente ao habitual das produções norte-americanas, onde o lugar, em si, costuma não fazer tanta diferença. Neste subgênero, entretanto, a paisagem interfere diretamente no enredo  – como já mencionamos na crítica da série islandesa Trapped. Por vezes sua presença se dá apenas através de belos planos que compõem a narrativa, mas, na maioria dos casos, ela é essencial para facilitar ou dificultar a trajetória dos personagens, tornando-se parte fundamental da trama.

Além do ótimo elenco – composto por atores e atrizes  capazes de transmitir oscilações de sentimentos apenas com seus olhares -, do roteiro que caminha com eficiência e da bela cinematografia, Retribution ainda é uma boa opção para quem quer se aventurar por esse subgênero que tem ganhado público ao redor do mundo. Inegavelmente, o formato parece despertar curiosidade no espectador e demonstra potencial como entretenimento de qualidade.

 

Ficha técnica

Direção: William McGregor

País: Reino Unido e Irlanda do Norte

Ano: 2016

Elenco: Elenco: Joanna Vanderham, John Lynch, Julie Graham, Juliet Stevenson, Laura Fraser

Gênero: Drama, Thriller

Distribuição: Netflix

 

 

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