Morte em Buenos Aires, o drama policial da argentina Natalia Meta

A investigação do assassinato de um herdeiro da alta sociedade argentina nos anos 1980 é o centro da trama de Morte em Buenos Aires, primeiro longa-metragem da carreira da diretora Natalia Meta. Neste drama policial, disponível no catálogo da Netflix, o caso criminal de grande repercussão arrasta a vida pessoal do Inspetor Chávez (Demián Bichir) para um emaranhado de segredos e disputas de poderes.

Com ajuda do novato atrapalhado El Ganso (Chino Darín), primeiro policial a chegar na cena do crime, Chávez tenta responder ao famigerado “quem matou?”. Conforme o filme avança, porém, percebemos que “quem matou” não é o aspecto mais relevante do enredo.

“Morte em Buenos Aires”/ Divulgação

O NOIR E O NEON

Jogando com proporções de claro e escuro na fotografia para criar atmosfera, ao mesmo tempo em que aposta numa ambientação neon característica da década de 1980, Morte em Buenos Aires trabalha as tensões e desconfianças crescentes na relação de El Ganso e Chávez. Assim, a investigação de assassinato serve também como pretexto para falar de masculinidades num ambiente tão performador de virilidade como o policial. 

Nesse sentido, a personagem Dolores (Mónica Antonópulos), quase cartunesca, aparece como apontamento do estereótipo de feminilidade que prevalece no imaginário daquele ambiente. Da mesma forma,  a cena noturna gay da Buenos Aires da época, quase tão clandestina quanto as possíveis intenções dos protagonistas e certamente muito mais marginalizada do que a de hoje, apresenta masculinidades consideradas párias. 

Meta provoca, em certa medida, um contínuo choque entre o que há de “oficial” e “clandestino” nos comportamentos de seus personagens. A performance de homem durão de Chávez, por exemplo, é colocada contra a parede pela presença fascinante de Ganso. Já a imagem pública da vítima não condiz com sua intimidade ou com seus negócios furtivos.

O problema é que tudo isso transforma Morte em Buenos Aires em um filme com excesso de pontas soltas. O neon artístico das casas noturnas gays se contrapõe ao noir do arco policial – elementos que poderiam ser complementares, mas que acabam conduzidos por um roteiro que pretende ser mais do que de fato consegue ser. 

Como resultado, tem-se um filme regular. Uma obra que intriga por propor abordagens singulares, embora também frustre por não apresentar conclusões satisfatórias.

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Ficha Técnica:

Direção: Natalia Meta

Duração: 1h36

País: Argentina

Ano: 2014

Elenco: Chino Darín, Demián Bichir, Mónica Antonópulos

Gênero: Policial, Drama

Distribuição: Netflix

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