Crítica: Typewriter (Netflix)

Estreou, no último dia 19, a primeira temporada de Typewriter, produção indiana original Netflix. Dirigida por Sujoy Ghosh, a série é ambientada em Goa, oeste da Índia, e desenvolve-se a partir de uma premissa bastante simples e potencialmente eficiente: há uma mansão mal-assombrada, objetos enfeitiçados, segredos de família e crianças dispostas a investigar fantasmas. 

Quando pequena, Jenny (Palomi Ghosh) vivia com o avô Madhav Matthew (Kanwaljit Singh), um famoso escritor de histórias de horror, no casarão Bardez. Matthew ficara conhecido por ter escrito o livro O Fantasma de Sultapore. Era um homem rico e influente na região. Morreu subitamente de infarto, e tal fatalidade fez com que a neta acabasse deixando a casa para viver em outro lugar.

Durante todos os anos que ficou afastada de Bardez, Jenny distanciou-se das lendas e mistérios que rodeavam o lugar, a comunidade e a figura do avô. Ao regressar, agora uma mulher adulta, casada e mãe de dois filhos, a personagem se depara com uma série de assassinatos de pessoas que em algum momento fizeram parte de sua infância; ao mesmo tempo em que conhece um grupo de crianças curiosas e empolgadas para investigar as atividades sobrenaturais que acreditam ainda acontecer na mansão.

‘Typewriter’/ Divulgação

CRIANÇAS E FANTASMAS

Sam (Aarna Sharma), Bunty (Palash Kamble) e Gablu (Mikhail Gandhi) formam o Clube Fantasmagórico. Obcecadas pelo livro de Madhav Mathews, as crianças sempre matam aula para, acompanhados do cachorro de Sam,  discutir teorias sobre fantasmas. Mais tarde, e em grupo, elas precisam ajudar Jenny e Ravi (Purab Kohli), policial e pai de Sam, a desvendar a ligação entre os assassinatos, a mansão, o avô de Jenny e o sobrenatural. 

Juntar crianças curiosas, um cachorro inteligente e fantasmas costuma render boas histórias ao melhor estilo Sessão da Tarde. Entretanto, Typewriter possui cenas de violência um pouco mais gráficas do que se espera de produções dedicadas ao público infantil. Por isso, apesar de as personagens mirins serem parte fundamental da trama, a série passa longe de ser apropriada para este público.

Aqui, vale destacar a performance da atriz Aarna Sharma como Sam. Obstinada, incansável, autêntica, esperta e corajosa, a garota é a força motriz da série; a personagem que carrega consigo grande parte do vigor da produção. Sem ela, não haveria motivação para os demais. 

Imagem: divulgação

A PRIMEIRA TEMPORADA

Composta por cinco episódios de aproximadamente 50 minutos cada, a primeira temporada de Typewriter é breve e funcional; introdutória, digamos. O criador aposta numa mistura dos gêneros horror, aventura, suspense e policial para apresentar o que parece ser o início de uma história maior. 

Em alguns momentos, ao tentar demarcar demais a quais gêneros pertence, a obra dirige-se a um emaranhado de lugares comuns; tornando-se, assim, um pouco sem personalidade – tanto estética como narrativamente. Como resultado, há também situações de perda de ritmo.

Por outro lado, ela ganha pontos ao criar uma mitologia local, que usufrui mais do suspense do que de grandes quantidades de susto. Já os alívios cômicos aparecem nas travessuras das crianças ou nas trapalhadas dos policiais.

No geral, Typewriter tem potencial e pretende usar os clichês de gênero a seu favor. Falta um pouco de presença e complexidade ao enredo, mas os personagens, bem como as suas intenções, estão postos. Para uma possível segunda temporada, fica a expectativa de ver os mocinhos mais ativos e o grande vilão com mais espaço para ação.

‘Typewriter’/ Divulgação
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Ficha técnica

Criação: Sujoy Ghosh

País: Índia

Ano: 2019

Elenco: Purab Kohli, Palomi Ghosh, Sameer Kochhar, Aarna Sharma

Gênero: Terror

Distribuição: Netflix

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