One Day at a Time foi cancelada pela Netflix, mas suas três temporadas nos ensinaram muita coisa

Na última quinta-feira (14), a Netflix anunciou o cancelamento da série One Day at a Time, que chega ao final depois de três temporadas e de ter conquistado público e crítica. Muitos fãs ficaram decepcionados, e logo a hashtag #SAVEODAAT tomou conta dos assuntos mais comentados do Twitter.

A continuação da série já vinha sendo ameaçada desde o final de sua segunda temporada, mas, na época, a movimentação nas redes sociais conseguiu garantir mais alguns episódios. Dessa vez, entretanto, a decisão parece ser definitiva.

Diante da notícia, o público, desapontado, argumenta que a produção, além de ser barata, trata de assuntos importantes demais para ser cancelada. A Netflix, por sua vez, assegura que a audiência da obra não correspondia às expectativas da empresa e que se compromete a criar novas histórias tão relevantes quanto essa.

Pelo Twitter, a Netflix comunicou o cancelamento da série

É perfeitamente possível compreender a mágoa do público: diante de tempos de tanta falta de empatia, imediatismo e polarização, One Day at a Time funcionava como um respiro.

Com texto afiado e ótimos personagens (além das ótimas performances de Rita Moreno e Justina Machado), a série se preocupou em transmitir mensagens sobre a importância dos laços, do coletivo, da diversidade, da paciência e do afeto. Na simplicidade do cotidiano da família Alvarez, uma família que poderia muito bem representar várias outras  ao redor do mundo, está o encanto provocado pela obra.

Sem dúvidas, One Day at a Time tratou de temas muito importantes para a contemporaneidade – privilégios de classe, homofobia, imigração, feminismo, drogas, ansiedade, racismo, identidade de gênero, xenofobia; mas ela é mais do que a soma de todos esses assuntos, é um afago no coração de cada pessoa que dedicou algumas horinhas aos seus episódios.

Família Alvarez / Divulgação

Você pode, por exemplo, não concordar com a postura política ou com os comportamentos de abuelita (Rita Moreno), mas ainda assim se emocionar com sua história de vida, rir de suas trapalhadas e aprender sobre o valor de pedir e conceder perdão. Da mesma forma, abuelita nem sempre teve repertório para entender “as modernidades” da neta Elena (Isabella Gomez), mas sempre teve amor suficiente para colocar o bem estar da jovem em primeiro lugar.

Equilibrando humor e drama com perfeição, One Day at a Time construiu laços afetivos fortíssimos entre personagens absolutamente humanas – e, por isso, passíveis de erros e acertos – e também com o público; daí o pesar do cancelamento. Essa era uma série essencialmente emocional. Cada um dos episódios aflorava emoções genuínas, capazes de levar do choro ao riso (e vice-versa) com eficiência e rapidez impressionantes.

O anúncio do cancelamento, uma decisão, claro, completamente comercial, repete a comoção causada pelo fim de Sense8 – outra série que cativou fortemente o público. Mas, apesar do apagar das luzes, as duas obras originais Netflix provam que é perfeitamente possível (e necessário) fazer entretenimento engajado e divertido. Ao final, abuelita, Penélope, Elena, Alex e Schneider foram bem cuidados, tiveram bons desfechos e deixaram mensagens inesquecíveis sobre respeito e empatia. É isso que importa.


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